Não somos os mesmos com todas as pessoas.
Não acredito que se trate de falsidade, de ter duas caras, de
bipolaridade. Pelo menos não sempre. A verdade é que nos adaptamos as
pessoas e reagimos com uma das muitas variações daquilo que realmente
somos. Uma vez ou outra até vamos além de nós mesmos. Isso tudo depende
de quem eu sou e depende de quem o outro é. E viajamos nessa ação e
reação num limite bem difícil de separar.
Nunca serei o mesmo com duas pessoas diferentes.
O nosso relacionamento com alguém tem
muito do que despertamos um no outro. Temos certa facilidade de sermos
mais carinhosos com determinadas pessoas e temos propensão a agir sempre
na defensiva com outras. E isso fica ainda mais explícito à medida em
que você se torna mais íntimo do outro.
Acredito que um bom relacionamento vai
além de ser capaz de tornar o outro melhor, mas permitir que o outro
seja ele mesmo. São esses relacionamentos que alcançam longevidade.
Isso pra mim faz toda a diferença. Não
tem nada mais tortuoso que nos relacionarmos com pessoas que nos podam,
que nos invadem, que castram quem somos. Gosto de relacionamentos com
espontaneidade, valsa e leveza. Quando o outro passa a ser algo a se
descobrir e não quando eu sou algo a me impor.
Tentar parecer quem não somos carrega um
peso na relação que maltrata. Mais oprimente ainda é viver com alguém
que desperta em nós a pior parte de nós mesmos. E aí não dá. Nos
cansamos, nos frustramos, nos esgotamos. Só sobra isso: o pior de nós
mesmos. E aí a relação [seja qual tipo for] se acaba, talvez nem porque
não suportamos o outro, mas porque não suportamos mais nós mesmos.
É por isso que me descubro nas pessoas
simples. É terrível viver sob exigências… é terrível viver sob
fingimentos… é terrível conviver com o pior de mim.
Mas no fim a gente aprende. Num aprende?
E descobrimos que nós gostamos é de ser
um pouco mais de nossas melhores versões. Essas versões que saem tão
naturais que parecem tão fiéis a quem achamos que somos. Assim fácil de
rir, assim lesos, assim inesperados, assim de falar o que sentimos,
assim de chorar sem ter vergonha, assim de dividir um sonho absurdo,
assim bobos, assim de se entender. E aí encontramos tudo o que
precisamos pra sermos melhores, pra evitarmos a parte de nós que não
devemos ser. É só permitir.
Fonte: http://rodeiosdaalma.wordpress.com/about/