Não condeno a atitude do pai do Cristiano Araujo ao
questionar a existência de Deus, acredito que é natural e aceitável surgirem
perguntas em meio ao sofrimento. A verdade é que somos ensinados a reprimir
qualquer questionamento que envolva a nossa fé “as coisas encobertas pertencem
ao Senhor”, mas a fé só existe por que existe a dúvida. Há alguns anos fui
apresentada ao livro “Decepcionado com Deus” do Philip Yancey, nele o autor
coloca-se no lugar de pessoas que enfrentaram dores insuportáveis e começa a perguntar
se Deus é justo, se ele nos abandona, se ele é indiferente a nossa dor ou se
está calado. As histórias relatadas tornam o livro mais instigante e mostram a
honestidade de alguém que está sofrendo e realmente decepcionado com Deus.
Quando
estamos diante de um sofrimento ou assistimos o sofrimento de alguém próximo, a
primeira coisa que fazemos é jogar na cara de Deus toda a bondade dessa pessoa,
todo o bem feito por ela, toda dedicação ao próximo e a Deus, passamos a perguntar
por que isso não aconteceu com alguém ruim, eu mesma já fiz isso e também tive
minha crise de fé. O que quero deixar claro é que não podemos censurar quem tem
crise de fé, só obtém respostas àquele que se permite questionar, mesmo
acreditando que algumas respostas só teremos na eternidade, acho necessário existirem
essas perguntas. “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a
Deus”, inclusive o sofrimento.
