sábado, 16 de maio de 2020

Lives musicais: tudo que é muito, é demais





Cansei! Sim meus caros, estou com essa sensação. Assim como tudo o que é novo, a chegada das lives provocaram aquele sentimento de distração, empolgação e curtição, um cenário ideal para abrir aquela gelada. Foi uma experiência que inicialmente atraiu um público amplo, inclusive eu. A live é uma espécie de DVD, utilizamos os mesmos mecanismos de ligar a TV/Computador/Celular e assistimos um show, a única diferença é que ocorre ao vivo e é possível interagir, ouvir o cantor falando algumas bobagens ou fazendo coisas diferentes. O elemento diferente era que durante a transmissão eu interagia com meus amigos nas redes sociais, brincava nos grupos e me divertia com os memes lançados no Instagram. Esses eram os únicos motivos que me atraíram, a possibilidade de interação, se fosse apenas para apreciar as músicas, temos livre acesso a qualquer momento a uma infinidade de vídeos, clipes, shows e dvds.  

Citando uma frase falada por aí “tudo que é muito, é demais”. Com uma explosão absurda da oferta, passamos de 1 live por dia para 4, 6 e até 15, como ocorreu no último dia das mães, algumas atrações também foram repetidas, o mesmo cantor marcando a segundo ou terceiro encontro.  Agora me responda, quem é que aguenta? Recebia mensagens nos grupos informando o início da lives, entrava no Instagram e visualizada as postagens das pessoas assistindo, gerava uma obrigação de ter que acompanhar também, pois não poderia ficar de fora. Chegou ao ponto de zapear entre algumas no mesmo dia e não aproveitar nada. Chega! Não dá mais, cansei. Foi bom enquanto durou, mas chegou o limite e não tenho obrigação de estar “por dentro” de tudo, gerando ansiedade.

Partindo do cenário desconfortável descrito acima, o movimento passa a ser o que preciso priorizar para me sentir melhor? O primeiro e mais importante é ficar longe das redes sociais, até mesmo do próprio whatsapp, você não tem obrigação de responder todas as mensagens assim que surge uma notificação, selecione quem realmente tem prioridade e deixe os demais para quando puder. Pegue um bom livro, um filme, uma série, um curso online ou qualquer outra fonte de diversão e inspiração que te faça bem, o objetivo é desconectar.
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Está cada vez mais angustiante pesquisar os números atualizados da pandemia no Brasil, estamos em um estágio muito preocupante, e essa instabilidade no governo só agrava a nossa situação.

222.877 casos confirmados e 15.046 mortes

quinta-feira, 7 de maio de 2020

A humanidade não deu certo?






Essa semana o Brasil foi surpreendido com a morte do ator Flávio Migliaccio de 85 anos, a princípio de causa natural, até que foi divulgada uma carta escrita por ele, revelando um provável suicídio.

“Me desculpem, mas não deu mais. A velhice neste país é o caos como tudo agora. A humanidade não deu certo. Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora num país como este. E com este tipo de gente que acabei encontrando. Cuidem das crianças de hoje!”

Forte, não é? Acredito que o maior drama da velhice é encarar questões profundas de toda a vida, olhar para dentro de si e tentar entender sua trajetória, o que construiu, o que valeu a pena ou o que desperdiçou. Se escreveu uma história digna ou se desgastou com trivialidades enquanto desprezava coisas importantes. Tal carta não levanta esses dilemas, mas foi uma espécie de apelo, protesto e desabafo. Uma frase que vale a pena destacar é “A humanidade não deu certo”.

Para discorrer sobre tal reflexão, obviamente terei que utilizar a abordagem da religião. Questionamentos como estes sempre te direcionam para os elementos básicos do que você acredita. Nessa frase ele consegue estar certo e ao mesmo tempo errado. A humanidade não deu certo a partir do momento em que rompeu com o criador lá no Éden, ali nasceu a nossa natureza pecaminosa, de perdição, sem compaixão e capaz de cometer crueldades. Por isso afirmo que o homem é naturalmente mau e as pessoas geralmente não gostam.

Porém, o maior ato de amor que o mundo conheceu, fez Deus enviar o seu filho para morrer e redimir toda a nossa maldade, salvando aqueles que nele creem. Dito isto, vejo com certa ingenuidade quem acredita na bondade universal e sofre profundamente quando não consegue encontrá-la. Repito, o homem é naturalmente mau, cruel, pecador e depravado. O bem que existe em nós não brota naturalmente do homem, mas vem de Deus através da sua graça comum que não alcança a todos. É nisso que acredito, é isso que não me permite sofrer profundamente como o Flávio. A humanidade vai dar certo apenas na eternidade juntamente com Cristo.
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Atualização Covid-19
135.106 casos confirmados e 9.145 mortes

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Fanatismo político e os revolucionários das redes sociais




É maravilhoso falar sobre esse assunto (mentira! eu detesto). Pode parecer que eu tenha uma birra com política, mas não é verdade, o que incomoda mesmo é a postura radical delirante de quem abraça intensamente. Considere qualquer modalidade de fanatismo incluída, pode ser política, religiosa, futebol, estilo de vida, escolhas pessoais e etc. As redes sociais contribuíram exponencialmente para que tal discurso obsessivo fosse ferozmente espalhado.


Você está afirmando que todos devem ser neutros? Que não devem escolher seus ideais, visão de mundo e de sociedade?  Não podem defender, gritar, lutar, matar e morrer pelo que acredita? Se for realmente o centro da sua vida, faça e assuma as consequências, certamente elas chegarão. Eu fico preocupara ao perceber uma adesão incondicional a “causa”, tornando-a o centro da sua vida, onde o indivíduo está disposto a fazer o que for preciso para defendê-la. Quais são as consequências? Toda decisão tem sua dor e delícia. Posso listar várias consequências negativas, e não é apenas uma opinião, são fatos na maioria das vezes não percebidos.

A principal delas é a impossibilidade de manter um diálogo saudável. É impressionante como percebemos a diferença na conversa de um equilibrado e sensato com um fanático, já fiz esse teste e na maioria das vezes fico calada, deixando o outro acreditar que estou de acordo. Deve ser por isso que muitos acham que penso igual a eles, mesmo quem convive comigo há anos, e ficam surpresos quando decido opinar em algo discordante, a impressão que fica é “você mudou” SQN (só que não).  Esse é apenas o pontapé inicial, junto a ele vem a dificuldade de escutar, a agressividade, intolerância, pensamento e visão limitados, ódio, estupidez, preconceito e a tendência de enxergar o outro como inimigo. Sem contar a falta de compaixão, empatia e amor ao próximo. Estou exagerando? Por que raios não enxergam isso?  

“Não é possível convencer um fanático de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências, baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar cegamente em algo.” Carl Sagan

Como deve ser o mundo dessas pessoas? É dividido entre os que pensam como elas e o resto, muito provavelmente o inimigo. Será criada uma redoma na sua vida onde somente as pessoas que compactuam com seus ideais podem entrar. Já pensou que pobreza de vida? Um escudo de proteção impenetrável. Sinceramente aprendi muita coisa ouvindo uma visão diferente, inclusive a fortalecer a minha própria, se você tem plena convicção de quem é e no que acredita, não há problema algum em ter contato com o contraditório. “A pessoa se encerra em convicções absolutistas e inquestionáveis para não ter que lidar com a sua própria fragilidade.” Mundo Psicólogos

Eu fico triste de verdade, uma vez que é possível perceber onde realmente está o coração da pessoa. Destruir relações e vínculos afetivos essenciais na nossa vida por uma obsessão e intolerância é demais. Infelizmente não quero essas pessoas perto de mim, elas são nocivas tanto para a minha saúde mental, quanto para o bem estar da relação, onde fica claro que na vida delas existe algo muito mais relevante do que a preservação do vínculo.

Vou encerrar esse post com um texto maravilhoso publicado pelo Ícaro de Carvalho em seu instagram, resume um pouco o que meu desabafo aqui.


Fechado com Bolsonaro ou Lula livre?

️ Esse não é um post político. Pra falar a verdade, talvez seja o texto mais importante que eu já escrevi aqui.


️ Se você é uma pessoa responsável, que dá duro no trabalho e luta pela sua família esse texto não é pra você.

Nos últimos dias as redes sociais foram invadidas por uma hashtag: fechado com Bolsonaro.
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Milhares de pessoas brigando o dia todo, varando as madrugadas, malhando os grupos do trabalho e da família em defesa de um político.
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A minha pergunta é: você já defendeu a sua esposa, seus pais ou seus filhos da mesma forma que defende o seu político preferido?
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Na época da prisão do Lula as pessoas acampavam em frente à polícia federal, enfrentando a noite gelada de Curitiba. Você já fez isso por alguém?
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Você está realmente “fechado” com o seu casamento?
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Está “fechado” com o seu crescimento?
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“Fechado” com a criação e a educação dos seus filhos?
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Por que o Bolsonaro ou o Lula merecem que você passe o dia inteiro discutindo, comprando briga, debatendo, estudando e a sua esposa não?
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Por que você decora leis, processos, artigos e todas essas coisas sobre política e atrasa a pensão...o aluguel...se mantém no mesmo subemprego.
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Quando você já esteve tão “fechado” consigo mesmo quanto está com o político A ou B?
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A política é um instrumento poderoso de melhora da sociedade, mas não deve ser uma fuga para que você não cumpra as suas obrigações. Antes de Lula ou Bolsonaro existe a sua esposa, seus filhos, seus funcionários, seus amigos...
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São com todos eles que você deve estar fechado. Desculpe pelo desabafo.