terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Um péssimo ano?




Parei para pensar se em algum momento na vida achei que tivesse vivido um péssimo ano.

Já passei por anos onde senti um vazio existencial, realmente acreditei que viver não fazia o menor sentido. Já lidei com a morte da pessoa que me amou incondicionalmente. Há uma semana me peguei indo dormir chorando horrores. Já sofri com medo da solidão, de me achar incapaz, de acreditar que as pessoas só me procuram quando tenho utilidade para elas. Enfim, vou parar por aqui para não expor demais.

O fato é que viver também é passar por tudo isso, como se estivesse incluso no pacote. Quem começou a vender essa ideia de que uma vida boa é sempre maravilhosa, prazerosa, alegre, que é ser feliz o tempo inteiro, sorridente e com relacionamentos perfeitos, não sabe o estrago que fez na cabeça das pessoas e os monstros que criaram.

Por isso que quando surge alguém falando em gratidão, vem uma chuva de gente revoltada e com ranço dessa palavra. Em partes até entendo, como sempre acontece os exageros e do nada me brota uma tal de “positividade tóxica”. Por outro lado, vejo os que acreditam que a vida deve ser como um comercial de margarina, e qualquer percalço que desvie desse propósito é motivo suficiente para murmurar.

Sinceramente, se eu tenho um teto para morar, uma cama confortável, alimento na mesa todos os dias, alguém que me ame ou que eu possa amar, um trabalho que garanta o suprimento das minhas necessidades básicas, se vivo em um lugar que por pior que seja, não enfrenta guerra ou grandes desastres, se tenho alguns momentos de lazer, saúde e bons amigos, tenho muitos motivos para ser grata sim. E se alguém com tudo isso ainda for incapaz de agradecer pela própria vida, sinto muito pela existência amargurada que carrega nas costas.

Não, não consigo encontrar na memória um péssimo ano, vivi alguns anos maravilhosos e outros normais, com os altos e baixos que toda vida carrega. Sou imensamente grata por mais esse ano, e pela oportunidade de continuar escrevendo a minha história em 2022. A vida é breve, não custa nada lembrar.

Feliz Ano Novo!