É comum encontrar uma onda de
pessoas que te forçam a entrar em um campo de batalha quando alguma situação
absurda acontece no mundo, principalmente envolvendo injustiças sociais e fatos
políticos polêmicos. As redes sociais entram em colapso com uma enxurrada de palpiteiros indignados, correndo para dar um veredito sem buscar nenhuma fonte segura. E pior, não aceitam que outros optem pelo silêncio, afirmam cruelmente que silenciar é compactuar com
o que está ocorrendo, que é permanecer ao lado do opressor. Asseguram com
convicção que eles são inúteis, insensíveis, omissos, conivente e vários outros
adjetivos. Praticamente uma tentativa de forçar que sejam iguais a eles, que
discutem, manifestam, chateiam, gritam aos 4 cantos suas indignações, ficam
desiludidos e não acreditam mais no mundo. Não podem ver um tema em evidência que
não conseguem se segurar e precisam falar, como se fosse indispensável seu
posicionamento.
EU NÃO SOU ASSIM! Se não me sinto confortável em emitir opinião sobre algo, se o que tenho para falar não vai
agregar valor, se não me informei o suficiente para construir uma opinião concreta,
ou se meramente não tenho uma opinião elaborada, não me forço a falar só por
falar. Não faz o menor sentido, é impossível enxergar a realidade de tudo que acontece em nossa volta, o mundo é mais complexo do que pensamos.
Nem sempre falar significa que
você se importa, talvez seja apenas uma necessidade de pertencimento. Sabe
aquele efeito manata? Exatamente! "Todo mundo tá falando/fazendo isso, eu
preciso fazer também, mesmo que eu não tenha a mínima noção do que estou
falando, só quero me sentir envolvida e não quero ficar de fora". Qual é a relevância disso? O que observamos são “especialistas” com
opiniões claras sobre tudo e que precisam ser reveladas. Disparam as
metralhadoras sem pensar se de fato existe embasamento, podendo inclusive criar
um cenário conflitante que não chega a lugar nenhum, só desgasta.
Aí eu pergunto, qual é a
necessidade de se posicionar publicamente com uma justificativa de que a pauta
é essencial? Não posso escolher me recusar a emitir opinião ou simplesmente não
ter uma? Sou obrigada a ter um conceito? E se não for essencial para mim? Eu
sou forçada a me importar com tudo o que acontece no mundo? Ou serei condenada
no tribunal das redes sociais das pessoas revolucionárias?
Não condeno quem sempre se
manifesta e está ativamente envolvido nas causas essenciais, só não quero ser
pressionada a fazer o mesmo e nem ser ofendida por optar pelo silêncio.
Vou compartilhar um texto escrito
pelo Steven Bartlett e divulgado em seu instagram.
Uma opinião impopular de um
preto:
Tentar forçar as pessoas a
postarem nas redes sociais sobre racismo/#BlackLivesMatter/George Floyd não é
justo e não ajuda. Se alguém não postou, isso não significa que eles não liguem
ou não se importem ou que sejam pessoas ruins.
Nós todos assistimos ao mesmo
vídeo hediondo de um homem sendo asfixiado até a morte por um policial branco
enquanto implorava pela sua vida. Tocou todo mundo de uma forma muito intensa.
Mas, cada um lida com isso de diferentes formas.
Algumas pessoas imediatamente
foram para as redes sociais, outras falaram com seus amigos de forma privada,
outros se abriram a ouvir e aprender e alguns ficaram tão desnorteados e
confusos que foi difícil encontrar palavras. Nós não precisamos que todos
falem, nós precisamos que todos ouçam.
Postar nas redes sociais não é
o único jeito de se processar como estamos nos sentindo – na verdade, ficar
postando parece mais o contrário do que se faz em situações intensas, pessoais
e que geram emoções complexas. Pessoas que postam menos não são mais racistas.
Vamos lembrar que o objetivo
aqui não é virar tendência nas redes sociais ou ser “politicamente correto”
perante os seus seguidores. O objetivo é mudança. E existem muitos caminhos importantes
para a mudança. Um é auto reflexão, um é pressão política, um é protesto, outro
é se educando.
Como um homem preto que sofre
com o racismo ao longo da vida, eu não quero que as pessoas postem porque eles
sintam-se obrigados ou pressionados a fazê-lo. Eu prefiro que eles usem seu
tempo ouvindo, aprendendo e refletindo. Afinal, toda mudança real começa dentro
de casa.
Tem sido incrível ver pessoas
de todas as raças se solidarizando nas ruas de todo o mundo. Tem sido incrível
ver as pessoas usando suas plataformas para educar e informar. Mas, por favor,
não assuma nada sobre o silêncio de alguém e não pressione os outros a agir da
mesma forma que você.
Em um momento como esse, não
existe reação “correta”, só existe empatia e o quanto ela inspira vários tipos
de mudança. A verdade é que, se fôssemos capazes de mostrar um pouco mais de
empatia como seres humanos, nós provavelmente não estaríamos onde estamos
agora.
672.846 casos confirmados e
35.930 óbitos.

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