Não gosto de olhar para o passado
com um ar de muito saudosismo, tampouco de arrependimento. Acredito que podem ser
movimentos perigosos, tendo em vista que não podemos modificá-lo e nem ficarmos
presos ao que foi prazeroso. Sabe quando alguém fica o tempo inteiro celebrando
a infância, como se fosse o único momento da sua história que realmente valeu
a pena ser vivido? Sinto um pouco de desconforto quando vejo pessoas fazendo
esse endeusamento exagerado da infância – era feliz e não sabia – tente
imaginar uma vida inteira com perspectiva de durar 70 anos, onde você é feliz
durante 15 e infeliz por 55 anos. Faz sentido? “Ah Dani, mas na infância não
existia maldade, responsabilidade, trabalho, contas a pagar, passávamos o dia
inteiro brincando.” É esse o seu parâmetro de felicidade?
Preciso confessar que, durante a
minha infância eu tinha o sonho de ser adulta, queria trabalhar, ganhar o meu
dinheiro, minha liberdade, amadurecer meus pensamentos e construir a minha
história. Sei que esse papo é mó chato, mas não posso inventar outra história
bonitinha. Entenda que não sou aquela pessoa que se recusa a brincar com
crianças, fazer alguma bobagem que remete à infância como tomar banho de chuva,
parque de diversão ou outro tipo de situação, como o próprio título do texto
diz, estou descrevendo uma hipótese de aprisionamento.
Não é fácil encarar a jornada da
vida adulta, mas essa é a vida, todos teremos que viver cada etapa, mesmo contra
a nossa vontade. Tentar estacionar na infância a qualquer custo já foi até
diagnosticado como um problema psicológico, chamamos de Síndrome de Peter
Pan, ou seja, o sujeito que se recusa a crescer e assumir as
responsabilidades de uma vida adulta, permanece agindo constantemente de forma
infantil e imatura. Inclusive preserva hobbies e hábitos associados a esta
época, temos o exemplo mais conhecido que é o Michael Jackson.
Sei que transitei de uma simples
nostalgia para um transtorno psicológico. O que estou tentando dizer é que a
vida segue, não podemos reviver o que já passou e nem voltar para modificar o
passado. Afirmar que sua felicidade estava depositada apenas naquele período é
decretar a sentença de infelicidade pelo o resto da vida, resgatar memórias o
tempo inteiro na tentativa de amenizar a própria incapacidade de encontrar
satisfação com o presente é assustador. É duro o que vou dizer, mas talvez a
sua vida hoje seja amarga demais para encontrar algo que valha a pena ser
celebrado.
Eu gosto de relembrar algumas
coisas boas da infância, das brincadeiras na rua com meus vizinhos e das
bobagens que inventávamos, mas em momentos bem pontuais. Não crio a ilusão de
que queria vive-los novamente, não fico resgatando memórias para tentar ressentir
emoções e não procuro as pessoas que fizeram parte dessa história, na tentativa
de fazer uma sessão eterna de nostalgia. A vida segue e precisamos seguir.

Nenhum comentário:
Postar um comentário