segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Amor próprio e o culto ao EU





Ame, cuide e pense em você. Por incrível que pareça, nunca vi essa expressão com tanto brilho nos olhos. É óbvio que precisamos cuidar da saúde, aparência, autoestima e autopreservação. É o mínimo que pode ser feito por si, sem isso não é possível viver, enfrentar as circunstâncias da vida, lidar com as pessoas e evitar relacionamentos abusivos.

Porém, existe uma linha perigosa que pode te levar facilmente para o uso nocivo desse pensamento, quando passa a olhar o amor próprio de forma egoísta, vaidosa, narcisista, querendo ser o centro do universo, eu sou, eu faço, eu aconteço, estou em primeiro lugar e os outros precisam me servir.  Um verdadeiro culto ao EU que é amplamente espalhado por aí, isso com certeza vende fácil e enche os olhos de muita gente.

Acredito muito na ideia de que, somente o amor de si para si não tem substância alguma, é desfeito e facilmente se dissolve. Quando você se preenche de si e está interessado apenas em se amar, não há espaço para receber amor de mais ninguém, não há necessidade que o outro te ame e é impossível ser amável. O que realmente nutre a nossa vida é a capacidade de amar o outro, é preciso ter um movimento de ligação que nos conecte com o outro em doação gratuita e genuína. Sem isso você é apenas um egoísta carente achando que todos te devem alguma coisa, procura no relacionamento aquilo que preencha esse seu vazio no peito. 

É fundamental cultivar o amor próprio, tirar um tempo de solitude, organizar as ideias e colocar a cabeça no lugar, mas vamos ter cuidado para não ficar muito tempo mergulhado apenas nisso. O objetivo principal de cuidar de si é de ficar forte e melhor o suficiente para ter condições de cuidar do seu próximo, servindo, amando e sendo útil. É nisso que sempre acreditei. 

terça-feira, 4 de junho de 2019

Medo do autoconhecimento?



Sim, eu também estou me tornando aquela pessoa chata que acha que todo mundo deveria urgentemente buscar o autoconhecimento e tentar fazer terapia. Porém, vou repetir o que já ouvi várias vezes de uma psicóloga “É algo que deve partir da própria pessoa, ninguém pode fazer por ela, não é uma receita de bolo que eu vou passar e vai resolver todos os problemas. Quando você começa a ter essa experiência, percebe o quanto lhe faz bem e aos seus relacionamentos, deseja profundamente que todos também tentem fazer essa jornada, mas você não pode forçar que ela faça.”
Hoje eu me deparei com uma pessoa afirmando “eu não consigo enxergar que existe algum problema em mim, não vejo a necessidade de conversar com uma psicóloga, não tenho interesse nesses livros”. Sério, quem afirma isso está mentindo para si mesmo ou com muito medo do que pode encontrar, por isso é mais fácil negar ou afirmar que é psicologicamente perfeito.

Resolvi separar um trecho escrito pela Laís Yazbek, onde ela fala exatamente sobre essa resistência, descreve muito bem o que penso. Vale a reflexão:

Crescemos em um mundo em que sentir é um negócio chato. Chorar é motivo para sentir vergonha. Não sabemos lidar com nossos sentimentos. Quando você era criança e chorava seus pais ficavam tristes, eventualmente você poderia apanhar por estar fazendo manha. Nunca foi ensinado como expressar aqueles sentimentos que afloravam, nem vocabulário temos para isso. Na infância e adolescência vamos descobrindo alguns outros sentimentos, a maioria relacionado à dor. Dor de ser rejeitado, de não pertencer, de não ser suficiente. De alguma forma o que fica registrado é que sentir está atrelado à dor. Não vivenciamos sentimentos positivos da mesma forma que os sentimentos negativos. Sentimentos positivos são silenciosos dentro de nós, são uma paz. Quando estamos felizes, estamos bem, mas nada de fato está acontecendo. Sentimentos negativos são um turbilhão de reações ao mesmo tempo e dor. Tudo está acontecendo.
O que fazemos então? Decidimos que não vamos mais sentir. Assim é mais fácil me privar da dor e da mesma forma me privo de todo o resto. O único sentimento que sobra é o medo de sentir. Ao não sentir eu não preciso entrar nesse lugar. Não preciso olhar para o que acontece dentro do peito se eu posso ficar só na cabeça. Temos muita dificuldade em ficar sozinhos com nossos sentimentos. Qualquer momento que temos livres para “fazer nada” já estamos com o celular na mão. Vamos para o pensamento. Queremos só pensar e não sentir. Que ilusão bonita. A conexão entre mente e coração está vinculada a respiração. A não ser que você aprenda a continuar vivendo sem respirar essa ideia de não sentir não dará muito certo.
Se no fundo já sabemos que sentir é inevitável, por que não escolhemos olhar para nossos sentimentos? O que é que nos impede de olhar para nós mesmos? Em minha opinião, o que está por trás é um medo de estarmos vulneráveis. É um medo de tirar as máscaras e entrar em contato com nossa essência. E muitas vezes, ela não é bonita. Pelo menos é a nossa crença. Depois descobrimos que o pior da nossa essência é infinitas vezes mais belo do que o melhor da nossa máscara. Se nos permitíssemos ficar vulneráveis com mais frequência perceberíamos que as máscaras que colocamos para atingir nossos objetivos só nos afastam deles. O medo do estado de vulnerabilidade nos limita muito mais do que protege. São nos nossos momentos mais vulneráveis que criamos conexão, tanto com nós mesmos quanto com o outro.
Acreditamos erroneamente que ao ficarmos vulneráveis, sem máscaras, ninguém irá nos amar. E é exatamente o contrário. A escolha de usar as máscaras e não mostrar nossa essência só nos distancia de nós e do outro. O medo da vulnerabilidade fez desaprendermos a nos conectar com nós mesmos. Ironicamente vivemos uma busca incessante por conexões mais significativas com o outro. Não entendemos que essa conexão começa conosco. Não percebemos que quando nos enxergamos melhor também nos relacionamos melhor com o mundo. Ao olhar para si mesmo, você consegue separar o que é seu e o que é do outro. As relações ficam mais claras.
No entanto sem o autoconhecimento como você pretende entender o que está acontecendo dentro de você? Como você pretende se relacionar bem com alguém? Como você vai expressar suas necessidades e sentimentos se você não sabe quais são? Como você pretende quebrar os bloqueios que você tem? Se você não tem autoconhecimento como você irá deixar de repetir padrões negativos que se criam? Ou ao menos percebê-los? Como irá parar de fazer as coisas que não são boas para você? Como você irá lidar com seus medos? Como você irá entender seus vários “eus” que querem coisas diferentes? Conhecemos tão pouco de nós mesmos. Ainda assim achamos que conhecemos muito.
O processo de olhar para dentro só depende de você. Os resultados disso também. Tudo o que você quer você pode alcançar. Como você está criando um tempo para se olhar? Qual o primeiro passo que você está dando para mudar o que te deixa insatisfeito? Imagino até que você já saiba o que precisa fazer, só não consegue realizar. Descubra qual é o medo por trás. Encontre o seu lado mais vulnerável que você não quer que vejam. Olhe para ele. Converse com ele. Respire fundo. Se jogue. Ser vulnerável é se jogar. Para superar o medo temos que nos jogar. Só assim descobrimos a mola que tem lá embaixo do abismo. A mola só está esperando você dar o passo para que possa te jogar para cima de novo e ainda mais alto. Bem mais alto.
É difícil olhar para si, é difícil entrar em contato com seus sentimentos, é difícil assumir a responsabilidade pelo o que está acontecendo na sua vida, é difícil mudar e é muito difícil estarmos vulneráveis. Mais difícil ainda é continuar caindo nas mesmas armadilhas. A caminhada é árdua, com muitos abismos e sem destino. É apenas o preço de evoluir. E não há nada mais gratificante do que isso.
(Recomendo assistirem esse TED sobre o Poder da Vulnerabilidade para quem ainda não conhece, o especial da Netflix "O chamado a coragem" e o livro "A coragem de ser imperfeito", todos da Brené Brown).


domingo, 2 de junho de 2019

Documentário: A Ponte

Hoje assisti um documentário bem pesado que aborda um assunto delicado, o suicídio. O título é A Ponte e fala sobre o cartão postal que mais registrou casos de suicídio na história, a ponte Golden Gate de San Francisco. A produção instalou câmeras durante um ano para gravar as pessoas e registrar os eventuais casos de suicídios, em uma queda-livre de 70 metros de altura e a uma velocidade de quase 120 km/h, era raro alguém sobreviver a essa queda. 


O início do documentário já é chocante, ao mostrar de imediato um senhor na grade da ponte olhando para baixo sem demonstrar nenhuma suspeita, enquanto várias pessoas passeavam por ela, de repente ele fica em pé na grade e se joga como se fosse um simples mergulho de trampolim, dando um fim a própria vida. O documentário segue entrevistando os familiares e amigos das vítimas, onde eles relatam como era a vida de cada um, o que levou a tomar essa decisão, como reagiram ao saber do ocorrido, como fracassaram em tentar ajudá-los e a falta que fazem.

No momento não vou me aprofundar no assunto do suicídio, apenas reforço que ele não pode em hipótese alguma ser ignorado. Da mesma forma que não vou avaliar a qualidade técnica do documentário, é uma produção bem amadora e sem grandes qualidades. De qualquer forma foi interessante conhecer um pouco a história por trás de cada vítima e assim repensar sobre o tema. Afinal, todos nós já nos deparamos com alguém, mesmo que não seja próximo, que tenha conseguido acabar com a própria vida. Ou seja, está mais próximo do que imaginamos. O documentário está disponível no YouTube, vou tentar colocar o link aqui abaixo, se eventualmente for bloqueado, podem pesquisar que está disponível.




sexta-feira, 31 de maio de 2019

Meu mês de maio

Em 2019 criei o hábito de registrar um pequeno resumo de como foi o meu mês, a princípio através de storie no instagram, mas decidi deixar registrado aqui também. Hoje vou apenas listar, nos próximos meses tentarei fazer um breve comentário sobre cada ponto abordado.


Música mais ouvida: 2 e 1 - Supercombo



Série favorita: Game of Thrones





Melhor filme: Vingadores Ultimato




Livro do mês: Em busca de sentido - Viktor E. Frankl




Frase:

"Quanto mais eu me conheço, mais eu me curo e me potencializo." José Roberto Marques



sábado, 16 de março de 2019

Escolhas - não quero minha vida igual a tudo que se vê




Essa frase é um trecho da música Do Alto da Pedra da banda Rosa de Saron, perdi as contas de quantas vezes ouvi na minha adolescência. Ela sintetiza quase todas as escolhas que fiz na minha vida pessoal, definitivamente não queria conduzir a minha vida igual a tudo que encontrava por ai, não queria replicar o estilo de vida fixado pela sociedade.  Não sei exatamente dizer até que ponto foi totalmente uma escolha, se foi fruto das minhas experiências com familiares, das minhas reflexões ou se nasci assim, só sei que ficava muito incomodada com algumas coisas. Noitadas de festas com bebidas e pegação, uma lista de mil amores, amizades vazias ou por conveniência para preservar o status, busca desenfreada por riqueza, ter experiências simplesmente pela adrenalina, instinto ou prazer (drogas, sexo, provocações, brigas, violência e etc) nada disso conseguia me atrair. Acredito que, no fundo eu sabia que essas experiências não tinham um sentido ou propósito, não passavam de coisas vazias.

Não entrei no mérito do que é certo ou errado, apenas decidi ser quem realmente sou e viver da forma como acredito ser o melhor para mim, sem nunca impor minhas escolhas para os demais. Ter uma personalidade forte é uma raridade numa sociedade que quer nos encaixar em rótulos. O ruim é que somos ensinados a pertencer a grupos, e muitas vezes deixamos de lado nossas vontades apenas para que sejamos aceitos.

Agora vem a parte difícil de encarar, o julgamento, as críticas, as piadas e as teorias. Essas situações te fazem ficar em completa defensiva, é muito difícil ter controle e não deixar te afetar. É estranho participar de uma roda de conversa onde você não se encaixa, ouvir com naturalidade experiências que nunca viveu e fazer de conta que também é “normal”. Mas quem define o que é normal? Por isso prefiro não dividir minhas confusões com quem não vai conseguir entender, infelizmente foi necessário me afastar de outras pessoas por tornar-se insustentável o contato direto.

Poucos sabem disso, mas minha fé é o alicerce que utilizo para conduzir minha vida e fazer minhas escolhas, por isso oro para que o Espírito Santo não permita cair na vontade de viver como os demais querem. 

“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.” Caetano Veloso



terça-feira, 12 de março de 2019

O Inconformismo de cada dia


Meu inconformismo me incomoda,
Meu inconformismo me perturba,
Meu inconformismo provoca turbulência nos meus pensamentos,
Meu inconformismo bloqueia minhas atitudes,
Meu inconformismo altera o meu comportamento,
Meu inconformismo relembra o meu propósito,
Meu inconformismo me faz lutar contra o sistema,
Meu inconformismo não deixa aceitar as coisas como são.

Não estamos falando de insatisfação com a vida, mas de buscar a sua verdade e essência nas mais variadas áreas da vida.
O inconformismo é o passo inicial para a revolução, porém, existe outra palavra com escrita similar e com efeito devastador, o comodismo. O comodismo imobiliza a ação, impede de enxergar e ir atrás das oportunidades, ou até mesmo de transformar as adversidades em chances de transformação, te dá uma sensação de vazio.
Minha lutra é transformar esse sentimento de inquietude em mudança de realidade, não necessariamente com decisões radicais, mas com pequenas percepções internas para assim lidar de forma diferente com o tal inconformismo, sem nunca perdê-lo.


Não quero me contaminar com o de sempre.

"O inconformismo pode significar duas coisas; a dificuldade do indivíduo de aceitar sua realidade ou, a premissa da necessidade de uma mudança." Oséias Gulart


quarta-feira, 6 de março de 2019

Por que ter um blog?




Na minha adolescência até os dias de hoje adquiri um hábito que ocupa parte do meu tempo: pensar. Em um livro que li recentemente, destacava bem a importância desse hábito como algo transformador para assegurar o controle da sua vida. Exemplos como o de Jeff Weiner, presidente-executivo do LinkedIn, que reserva 2 horas por dia para isso, descobrindo assim uma ferramenta de produtividade valiosa. Ou Bill Gates, que tira uma semana de folga para ler e pensar (óbvio que é uma realidade impossível para pessoas comuns). Não importa quanto tempo, o importante é criar espaço para escapar da sua vida para pensar e processar alguns assuntos.

Quais os assuntos? Tudo o que você possa imaginar, vida profissional, vida pessoal, futuro, comportamentos, atitudes das outras pessoas, o que motiva cada ação e quais as consequências, tudo que envolve relacionamentos, relação amorosa, de pais e filhos, amigos, fanatismo religioso, condutas hipócritas nas igrejas, etc. Nesse momento alguém deve fazer a seguinte pergunta por que raios essa criatura não foi estudar filosofia? Não precisa necessariamente exercer a função de filósofo para adotar essa prática, é um costume que deveria ser abraçado por todos.

No fundo eu queria compartilhar algumas das minhas reflexões, porém, nas poucas tentativas fui tachada de “viajona”. Então criei um diário onde detalhava o que acontecia comigo e como estava me sentindo, o diário é outra prática também recomendada, mas não como uma ferramenta para guardar segredos, como tradicionalmente foi associada. Nós somos criaturas esquecidas e o diário vem como uma ferramenta de armazenamento para suprir essa falha do nosso cérebro, principalmente para avaliar as mudanças que ocorreram na nossa vida/mente e que podem ter influência nas decisões. 
Com a chegada do facebook ainda escrevi alguns textos e postava no feed, porém, embora eu tenha um perfil pessoal e seja livre para utilizá-lo da forma que achar melhor, não enxergava o facebook como uma rede social adequada para esse fim. Foi então que surgiu a ideia do blog, que seria uma página totalmente pessoal e livre para postar o que quiser. Embora seja uma opção completamente pública e acessível para qualquer pessoa, não fiquei desconfortável com essa possibilidade, até porque não quero expor questões íntimas, apenas situações, ideias e opiniões. Inicialmente não tenho a intensão de divulgar para todas as pessoas, não é a finalidade atingir grandes números de visualizações e comentários, o objetivo é ser algo mais voltado para mim mesma, a pretensão é criar uma linha do tempo para avaliar a forma como eu estou refletindo no decorrer dos anos. Enfim, é isso.



Editado: Adicionando mais um motivo, tudo isso aqui é absurdamente terapêutico, estou trabalhando ao menos 3 questões que preciso melhorar em mim. Então, tenho razões bem maiores do que ser simplesmente uma blogueirinha. Finalizo com o texto retirado de uma postagem do perfil @triptaminaworld:

Nós gostaríamos que as palavras não ditas morressem no túmulo do silêncio, mas aquilo que não dizemos se acumula no corpo, enche a alma de gritos mudos, se transforma em noites sem dormir, nós na garganta, nostalgia, dúvidas, insatisfação e perda de tempo. O que não expressamos não morre, mata-nos! Quando não nos expressamos, o corpo encarrega-se de apresentar o seu próprio discurso. E isso repercute na qualidade de nossas emoções e consequentemente na nossa qualidade da nossa vida. (Autor Desconhecido). "Cada sentimento que tentamos sufocar persevera em nosso íntimo e nos intoxica". O que você não resolve na sua mente, o seu corpo transforma em enfermidade (Autor desconhecido). E quanto mais a gente esconde, mais a gente sente (A. Desconhecido). É por isso que o peito fica tão apertado. Você pode fechar os olhos para as coisas que não quer ver, mas não pode fechar o coração para as coisas que não quer sentir (Shakespeare). SE NÃO QUISER ADOECER, COLOQUE OS SEUS SENTIMENTOS PRA FORA. As emoções não expressas nunca morrem. Elas são enterradas vivas e saem de piores formas mais tarde (Sigmund Freud).