Então,
ontem comentei que fui surpreendida por um pronunciamento incoerente do nosso
querido presidente Bolsonaro, que menosprezou os riscos do coronavírus e
estimulou o abandono da quarentena, alegando a urgência da crise econômica. O
resultado disso foi que agora estamos em uma disputa política, os eleitores da
direita defendem cegamente o posicionamento do presidente, e quem defende a
quarentena automaticamente se enquadra como esquerdista privilegiado, corre o
risco até de ser ofendido.
E como eu fico no meio disso
tudo? Revoltada e triste. Revoltada porque tudo nesse país se resume a defender
seus ideais, suas ideologias políticas, o brasileiro realmente não me
surpreende nesse quesito, e triste porque dessa vez o que está em jogo não é
uma eleição, mas sim vidas humanas. Preservar a vida é um princípio inegociável
para mim, está acima de qualquer coisa, não me importo para esse conceito de
vida inocente e vida culpada, é uma vida e ponto, sem discussões. Hoje minha
psicóloga disse que eu deveria tentar dar mais atenção aos atos de bondade que
estão brotando em meio a esse caos, que o mal nunca deixará de existir e focar apenas
nisso pode nos machucar muito. Tentarei seguir essa orientação.
No fundo eu não quero acreditar
que a vida humana é tão desprezada, ignorada, desvalorizada e descartada pelas
próprias pessoas, o que não faz sentido nenhum para mim. Dificilmente
encontraremos outra espécie animal que abandona os seus, já os humanos fazem
isso sem muito esforço. Geralmente alguma outra pauta vai ser prioridade, seja
dinheiro, poder, defender uma ideologia ou crença, estilo de vida, convicções
próprias, tudo isso é mais importante do que seu próximo. Onde está o amor? Passou
muito longe, e é chegar nessa conclusão que faz o meu coração sangrar. Concluo
esse texto em lágrimas, que Deus tenha compaixão e perdoe as pessoas, elas não
sabem o que fazem.
2.915 casos confirmados e 77
mortes
Fonte: Ministério da Saúde

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