Minha geração acreditou que poderia ganhar o mundo.
Quantos de nós recebemos o mérito
por sermos o primeiro da família a concluir uma faculdade? Crescemos ouvindo
que bastava pegar o diploma, enfiar debaixo do braço e o mundo seria seu. Na
roda de conversa da escola era comum cada um falar o que queria ter, um carro
x, uma casa y, conhecerei tais lugares, ou seja, tudo o que nossos pais não
conseguiram em anos de trabalho duro e braçal. Como se fosse uma simples
escolha determinante, sequer imaginaram que tudo não passava de uma fantasia. Não acho
que a culpa seja nossa, a verdade é que abriram nossas cabeças, venderam e
inculcaram que era o único caminho. O erro de tal discurso foi esquecer de
incluir um grande elemento fundamental, a realidade.
A realidade chegou jogando na
nossa cara que o mercado não obedecia a essa lógica. Do dia para a noite fomos
submetidos à cobrança de habilidades que nunca aprendemos nos livros, você assiste
um cargo que teoricamente deveria ser ocupado por você, sendo abocanhado por
outro com menos formação e mais aptidões que o mercado precisa. Uma
realidade totalmente avessa ao que você foi programado a encarar. O resultado é
incontáveis profissionais lutando para ocupar vagas que jamais imaginariam
trabalhar, pois, agora quem grita é a sobrevivência.
“É muito fácil você fazer esse
discurso, uma vez que exerce a profissão na qual estudou e encontrou
estabilidade”. Fui criticada por escolher um curso mediano, onde na lista dos
testes vocacionais não garantia os melhores salários, fui criticada por não ter
tanta ambição, por não desejar os melhores cargos. Quem é da minha área sabe
que, trabalhar em escritório de contabilidade é o sinal de que você não deu
certo, é a última opção quando não conseguiu nada melhor. Quem em sã
consciência desejaria trabalhar feito um condenado e não ganhar muito? Todos os
professores e colegas da faculdade usavam esse tipo de contador como chacota.
Mas enfim, não vim aqui falar
sobre mim.
O que eu quero dizer é o
seguinte, esteja sempre com os pés instalados na realidade da vida. O desespero
aparece para quem ficou enclausurado na prisão do seu mundo ideal, que só
existe na sua cabeça. Se você acha que a sua escolha vai determinar a sua
felicidade, estará apenas numa prisão e vai se frustrar a vida inteira, mas o
fato é que a totalidade da sua vida não está condicionada a ela. É um ato de
humildade e coragem encarar a realidade da vida, entender o que ela tenta nos
mostrar e agir a partir dela. Não, você
não vai ter o mundo nas suas mãos, não vai conquistar tudo o que quiser, não
vai ser o pica das galáxias na sua profissão, não vai jorrar rios de dinheiro
na sua conta. Já entendeu isso? Pronto, agora você está preparado para fazer um
esforço e tentar se mover a partir do ponto que está.

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