terça-feira, 14 de julho de 2020

O mundo não está em nossas mãos






Minha geração acreditou que poderia ganhar o mundo.

Quantos de nós recebemos o mérito por sermos o primeiro da família a concluir uma faculdade? Crescemos ouvindo que bastava pegar o diploma, enfiar debaixo do braço e o mundo seria seu. Na roda de conversa da escola era comum cada um falar o que queria ter, um carro x, uma casa y, conhecerei tais lugares, ou seja, tudo o que nossos pais não conseguiram em anos de trabalho duro e braçal. Como se fosse uma simples escolha determinante, sequer imaginaram que tudo não passava de uma fantasia. Não acho que a culpa seja nossa, a verdade é que abriram nossas cabeças, venderam e inculcaram que era o único caminho. O erro de tal discurso foi esquecer de incluir um grande elemento fundamental, a realidade.

A realidade chegou jogando na nossa cara que o mercado não obedecia a essa lógica. Do dia para a noite fomos submetidos à cobrança de habilidades que nunca aprendemos nos livros, você assiste um cargo que teoricamente deveria ser ocupado por você, sendo abocanhado por outro com menos formação e mais aptidões que o mercado precisa. Uma realidade totalmente avessa ao que você foi programado a encarar. O resultado é incontáveis profissionais lutando para ocupar vagas que jamais imaginariam trabalhar, pois, agora quem grita é a sobrevivência.

“É muito fácil você fazer esse discurso, uma vez que exerce a profissão na qual estudou e encontrou estabilidade”. Fui criticada por escolher um curso mediano, onde na lista dos testes vocacionais não garantia os melhores salários, fui criticada por não ter tanta ambição, por não desejar os melhores cargos. Quem é da minha área sabe que, trabalhar em escritório de contabilidade é o sinal de que você não deu certo, é a última opção quando não conseguiu nada melhor. Quem em sã consciência desejaria trabalhar feito um condenado e não ganhar muito? Todos os professores e colegas da faculdade usavam esse tipo de contador como chacota.

Mas enfim, não vim aqui falar sobre mim.

O que eu quero dizer é o seguinte, esteja sempre com os pés instalados na realidade da vida. O desespero aparece para quem ficou enclausurado na prisão do seu mundo ideal, que só existe na sua cabeça. Se você acha que a sua escolha vai determinar a sua felicidade, estará apenas numa prisão e vai se frustrar a vida inteira, mas o fato é que a totalidade da sua vida não está condicionada a ela. É um ato de humildade e coragem encarar a realidade da vida, entender o que ela tenta nos mostrar e agir a partir dela.  Não, você não vai ter o mundo nas suas mãos, não vai conquistar tudo o que quiser, não vai ser o pica das galáxias na sua profissão, não vai jorrar rios de dinheiro na sua conta. Já entendeu isso? Pronto, agora você está preparado para fazer um esforço e tentar se mover a partir do ponto que está.

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