sábado, 29 de agosto de 2020
Meus 30 anos
domingo, 16 de agosto de 2020
Viver preso na infância
Não gosto de olhar para o passado
com um ar de muito saudosismo, tampouco de arrependimento. Acredito que podem ser
movimentos perigosos, tendo em vista que não podemos modificá-lo e nem ficarmos
presos ao que foi prazeroso. Sabe quando alguém fica o tempo inteiro celebrando
a infância, como se fosse o único momento da sua história que realmente valeu
a pena ser vivido? Sinto um pouco de desconforto quando vejo pessoas fazendo
esse endeusamento exagerado da infância – era feliz e não sabia – tente
imaginar uma vida inteira com perspectiva de durar 70 anos, onde você é feliz
durante 15 e infeliz por 55 anos. Faz sentido? “Ah Dani, mas na infância não
existia maldade, responsabilidade, trabalho, contas a pagar, passávamos o dia
inteiro brincando.” É esse o seu parâmetro de felicidade?
Preciso confessar que, durante a
minha infância eu tinha o sonho de ser adulta, queria trabalhar, ganhar o meu
dinheiro, minha liberdade, amadurecer meus pensamentos e construir a minha
história. Sei que esse papo é mó chato, mas não posso inventar outra história
bonitinha. Entenda que não sou aquela pessoa que se recusa a brincar com
crianças, fazer alguma bobagem que remete à infância como tomar banho de chuva,
parque de diversão ou outro tipo de situação, como o próprio título do texto
diz, estou descrevendo uma hipótese de aprisionamento.
Não é fácil encarar a jornada da
vida adulta, mas essa é a vida, todos teremos que viver cada etapa, mesmo contra
a nossa vontade. Tentar estacionar na infância a qualquer custo já foi até
diagnosticado como um problema psicológico, chamamos de Síndrome de Peter
Pan, ou seja, o sujeito que se recusa a crescer e assumir as
responsabilidades de uma vida adulta, permanece agindo constantemente de forma
infantil e imatura. Inclusive preserva hobbies e hábitos associados a esta
época, temos o exemplo mais conhecido que é o Michael Jackson.
Sei que transitei de uma simples
nostalgia para um transtorno psicológico. O que estou tentando dizer é que a
vida segue, não podemos reviver o que já passou e nem voltar para modificar o
passado. Afirmar que sua felicidade estava depositada apenas naquele período é
decretar a sentença de infelicidade pelo o resto da vida, resgatar memórias o
tempo inteiro na tentativa de amenizar a própria incapacidade de encontrar
satisfação com o presente é assustador. É duro o que vou dizer, mas talvez a
sua vida hoje seja amarga demais para encontrar algo que valha a pena ser
celebrado.
Eu gosto de relembrar algumas
coisas boas da infância, das brincadeiras na rua com meus vizinhos e das
bobagens que inventávamos, mas em momentos bem pontuais. Não crio a ilusão de
que queria vive-los novamente, não fico resgatando memórias para tentar ressentir
emoções e não procuro as pessoas que fizeram parte dessa história, na tentativa
de fazer uma sessão eterna de nostalgia. A vida segue e precisamos seguir.
quarta-feira, 12 de agosto de 2020
Internet: abandone espaços de ódio
Fui surpreendida por essa frase e
passei o dia inteiro refletindo sobre ela, o contexto onde foi inserida descrevia as
redes sociais em geral e páginas onde chovem ofensas. Já havia citado em outro post que realizei
uma limpeza nos perfis com conteúdo político, porém, podemos ampliar para
outros tipos de páginas. Por exemplo, existe um perfil chamado “dicas anti-coach”,
a proposta inicial é mostrar casos bizarros nesse universo bem repleto de
situações absurdas, com a ideia voltada para o humor. Ao fazer uma análise
detalhada, percebemos que a tendência está facilmente mais direcionada para a
difamação e insultos, ter a curiosidade de tentar analisar os comentários de
uma postagem é uma experiência maluca, você percebe o tanto de ódio despejado
em um único comentário.
Recentemente fui afetada por
outro episódio, após o falecimento de uma cantora gospel Fabiana Anastácio,
tive a curiosidade de pesquisar o seu nome no twitter e fiquei abalada com
os comentários de zombaria sobre a sua morte e sua fé. Não consigo entender
como ainda me surpreendo, fatos assim realmente me tocam, principalmente quando
atinge pessoas que nunca atacaram ninguém, o ódio vem gratuitamente apenas por
ser ou acreditar.
Mas aí vem a pergunta: Poderíamos
esperar o que de um lugar que existe exclusivamente para falar da vida alheia?
Infelizmente são lugares repletos
de pessoas que nunca construíram nada relevante, não buscam o aperfeiçoamento
pessoal, não suportam conviver com a própria mediocridade, possuem uma vida
mesquinha, no final a ação que vem do outro é o que as incomodam, pois joga
um holofote sobre a sua própria vida estacionada. Será que encontramos nesses
espaços pessoas que são felizes com a própria vida, bem sucedidas, que ajudam
ao próximo, que estudam e produzem algo relevante? Certamente não.
Fujam de qualquer espaço que opta
por querer ficar falando mal de alguém, por mais sutilmente que pareça,
inclusive páginas aparentemente voltadas para questões humanas, mas que destilam o
veneno através do “ódio do bem”. Não podemos cair nessa. Esteja comprometido
com o seu crescimento e busque consumir tudo o que te faça evoluir.
domingo, 2 de agosto de 2020
Relatos De Uma Quarentena (8)
Quem é profissional da
contabilidade e trabalha diretamente na elaboração das demonstrações contábeis,
enfrenta anualmente o desafio de entregar as demonstrações à Receita Federal
por meio da ECD (Escrituração Contábil Digital), geralmente no último dia útil
do mês de Maio, porém, devido ao estado de pandemia, foi adiado para o dia 31
de Julho.
Sempre vai existir aquele
contador chato que enche o peito para dizer “meus balanços são encerrados em
fevereiro, não espero até a data da ECD”. Tenho uma raiva dessa arrogância,
ninguém sabe as circunstâncias, os desafios e barreias que nos impedem de
antecipar, não me acho menos competente por isso, muito pelo contrário, já tive
a experiência de analisar uma contabilidade entregue nessas condições e posso
dizer, uma bela de uma porcaria.
O que sempre foi um grande
desafio transformou-se em um monstro devido a diversos fatores, principalmente
aos empecilhos da pandemia. O pior é que dessa vez eu estava sozinha em casa,
ninguém soube o que passei para tentar dar conta de tudo. Minha péssima mania
de absorver e acumular coisas simples e repetitivas, até que sejam transformadas
em uma avalanche que me atropela sem perceber, quando acordo já estou submersa
a entulhos de cargas não divididas.
Juntamente com a carga de
trabalho veio a desgaste emocional, na última semana cheguei ao ponto de passar
uma noite inteira sem dormir, dores de cabeça constantes e chorando facilmente.
Trabalhava freneticamente, minha pausa era apenas para dormir, comer, tomar
banho e fazer o treino do dia. Não estou transformando tal relato em um muro das
lamentações, essa situação é a minha circunstância ao longo de anos e tenho
bastante ciência. Deixo apenas o meu registro de que, assim como tudo o que foi
transformado e dificultado nesse período de pandemia, com meu trabalho não foi
diferente.
Vamos seguir em frente que daqui
a pouco vem mais, decidi me desafiar justamente agora que tudo saiu da minha
zona de conforto, vamos dar uma sacudida nessas estruturas.



