sábado, 29 de agosto de 2020

Meus 30 anos


 

Ops, trintei! E com todos os clichês que tenho direito. Cheguei na fase em que encontramos um cabelo branco perambulando e tentamos arrancá-lo a qualquer custo. Rsrs É a partir de agora que temos vergonha de revelar a idade? Não sei, tenho muito a aprender. Se minha natureza já é propensa para a reflexão, certamente foi potencializada nessa fase, impossível fugir do exercício de examinar-se, rever conceitos, quebrar barreiras, entender como somos e aonde queremos chegar. É inevitável escapar do simbolismo que tal idade representa na nossa biografia. Falo pouco, mas faço textão simmm.

Fiz planos de como queria que fosse o meu 2020, até que chegou o isolamento e tudo foi por água abaixo. O primeiro pensamento foi: a vida está acontecendo. Sempre erramos ao pensar que estamos no controle de tudo, dar o braço a torcer e movimentar-se a partir da atual circunstância é uma brilhante decisão. Só depois percebi o quão superficiais eram meus planos, em meio ao caos consegui fazer movimentos em direção ao que realmente é importante para mim, sinto uma alegria que não consigo mensurar.

Percebo cada vez mais que amadurecer é reconhecer as suas fraquezas, ao invés de fingir-se de forte. Aos 20 somos destemidos e queremos abocanhar o mundo. Aos 30 eu só penso em querer estabilidade emocional e espiritual, sempre tentando alcançar a profundidade do ser e sem colocar peso no que o outro pensa/diz sobre mim.

Sou grata pelas pessoas que fazem ou fizeram parte da minha vida, ninguém chega aonde está sozinho, devo muito aos que me ajudaram a crescer, aprender, amadurecer, ser quem eu sou e foram o abrigo quando precisei. O cuidado e o carinho de alguns realmente me surpreende.

Por último, não menos importante. Aos 20 meu peito vazio foi alcançado por um amor obstinado e perfeito, amor esse que transformou a forma como enxergo o mundo, a mim mesma e deu sentido para minha existência, nunca mais quis arrancá-lo de mim. Aos 30 reafirmo que nada poderá me separar do amor de Deus, ele é tudo o que tenho e tudo o que sou, seu amor me fez chegar até aqui e é o motivo que me faz continuar.

“Se eu reclamar da vida, sou uma ingrata.” (referência para poucos)

domingo, 16 de agosto de 2020

Viver preso na infância

 




Não gosto de olhar para o passado com um ar de muito saudosismo, tampouco de arrependimento. Acredito que podem ser movimentos perigosos, tendo em vista que não podemos modificá-lo e nem ficarmos presos ao que foi prazeroso. Sabe quando alguém fica o tempo inteiro celebrando a infância, como se fosse o único momento da sua história que realmente valeu a pena ser vivido? Sinto um pouco de desconforto quando vejo pessoas fazendo esse endeusamento exagerado da infância – era feliz e não sabia – tente imaginar uma vida inteira com perspectiva de durar 70 anos, onde você é feliz durante 15 e infeliz por 55 anos. Faz sentido? “Ah Dani, mas na infância não existia maldade, responsabilidade, trabalho, contas a pagar, passávamos o dia inteiro brincando.” É esse o seu parâmetro de felicidade?

Preciso confessar que, durante a minha infância eu tinha o sonho de ser adulta, queria trabalhar, ganhar o meu dinheiro, minha liberdade, amadurecer meus pensamentos e construir a minha história. Sei que esse papo é mó chato, mas não posso inventar outra história bonitinha. Entenda que não sou aquela pessoa que se recusa a brincar com crianças, fazer alguma bobagem que remete à infância como tomar banho de chuva, parque de diversão ou outro tipo de situação, como o próprio título do texto diz, estou descrevendo uma hipótese de aprisionamento.

Não é fácil encarar a jornada da vida adulta, mas essa é a vida, todos teremos que viver cada etapa, mesmo contra a nossa vontade. Tentar estacionar na infância a qualquer custo já foi até diagnosticado como um problema psicológico, chamamos de Síndrome de Peter Pan, ou seja, o sujeito que se recusa a crescer e assumir as responsabilidades de uma vida adulta, permanece agindo constantemente de forma infantil e imatura. Inclusive preserva hobbies e hábitos associados a esta época, temos o exemplo mais conhecido que é o Michael Jackson.

Sei que transitei de uma simples nostalgia para um transtorno psicológico. O que estou tentando dizer é que a vida segue, não podemos reviver o que já passou e nem voltar para modificar o passado. Afirmar que sua felicidade estava depositada apenas naquele período é decretar a sentença de infelicidade pelo o resto da vida, resgatar memórias o tempo inteiro na tentativa de amenizar a própria incapacidade de encontrar satisfação com o presente é assustador. É duro o que vou dizer, mas talvez a sua vida hoje seja amarga demais para encontrar algo que valha a pena ser celebrado.

Eu gosto de relembrar algumas coisas boas da infância, das brincadeiras na rua com meus vizinhos e das bobagens que inventávamos, mas em momentos bem pontuais. Não crio a ilusão de que queria vive-los novamente, não fico resgatando memórias para tentar ressentir emoções e não procuro as pessoas que fizeram parte dessa história, na tentativa de fazer uma sessão eterna de nostalgia. A vida segue e precisamos seguir.


quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Internet: abandone espaços de ódio

 



Não há sentindo entrar em um estábulo e reclamar do cheiro de merda.

Fui surpreendida por essa frase e passei o dia inteiro refletindo sobre ela, o contexto onde foi inserida descrevia as redes sociais em geral e páginas onde chovem ofensas.  Já havia citado em outro post que realizei uma limpeza nos perfis com conteúdo político, porém, podemos ampliar para outros tipos de páginas. Por exemplo, existe um perfil chamado “dicas anti-coach”, a proposta inicial é mostrar casos bizarros nesse universo bem repleto de situações absurdas, com a ideia voltada para o humor. Ao fazer uma análise detalhada, percebemos que a tendência está facilmente mais direcionada para a difamação e insultos, ter a curiosidade de tentar analisar os comentários de uma postagem é uma experiência maluca, você percebe o tanto de ódio despejado em um único comentário.

Recentemente fui afetada por outro episódio, após o falecimento de uma cantora gospel Fabiana Anastácio, tive a curiosidade de pesquisar o seu nome no twitter e fiquei abalada com os comentários de zombaria sobre a sua morte e sua fé. Não consigo entender como ainda me surpreendo, fatos assim realmente me tocam, principalmente quando atinge pessoas que nunca atacaram ninguém, o ódio vem gratuitamente apenas por ser ou acreditar.

Mas aí vem a pergunta: Poderíamos esperar o que de um lugar que existe exclusivamente para falar da vida alheia?

Infelizmente são lugares repletos de pessoas que nunca construíram nada relevante, não buscam o aperfeiçoamento pessoal, não suportam conviver com a própria mediocridade, possuem uma vida mesquinha, no final a ação que vem do outro é o que as incomodam, pois joga um holofote sobre a sua própria vida estacionada. Será que encontramos nesses espaços pessoas que são felizes com a própria vida, bem sucedidas, que ajudam ao próximo, que estudam e produzem algo relevante? Certamente não.

Fujam de qualquer espaço que opta por querer ficar falando mal de alguém, por mais sutilmente que pareça, inclusive páginas aparentemente voltadas para questões humanas, mas que destilam o veneno através do “ódio do bem”. Não podemos cair nessa. Esteja comprometido com o seu crescimento e busque consumir tudo o que te faça evoluir.


domingo, 2 de agosto de 2020

Relatos De Uma Quarentena (8)





Quem é profissional da contabilidade e trabalha diretamente na elaboração das demonstrações contábeis, enfrenta anualmente o desafio de entregar as demonstrações à Receita Federal por meio da ECD (Escrituração Contábil Digital), geralmente no último dia útil do mês de Maio, porém, devido ao estado de pandemia, foi adiado para o dia 31 de Julho.

Sempre vai existir aquele contador chato que enche o peito para dizer “meus balanços são encerrados em fevereiro, não espero até a data da ECD”. Tenho uma raiva dessa arrogância, ninguém sabe as circunstâncias, os desafios e barreias que nos impedem de antecipar, não me acho menos competente por isso, muito pelo contrário, já tive a experiência de analisar uma contabilidade entregue nessas condições e posso dizer, uma bela de uma porcaria.

O que sempre foi um grande desafio transformou-se em um monstro devido a diversos fatores, principalmente aos empecilhos da pandemia. O pior é que dessa vez eu estava sozinha em casa, ninguém soube o que passei para tentar dar conta de tudo. Minha péssima mania de absorver e acumular coisas simples e repetitivas, até que sejam transformadas em uma avalanche que me atropela sem perceber, quando acordo já estou submersa a entulhos de cargas não divididas.

Juntamente com a carga de trabalho veio a desgaste emocional, na última semana cheguei ao ponto de passar uma noite inteira sem dormir, dores de cabeça constantes e chorando facilmente. Trabalhava freneticamente, minha pausa era apenas para dormir, comer, tomar banho e fazer o treino do dia. Não estou transformando tal relato em um muro das lamentações, essa situação é a minha circunstância ao longo de anos e tenho bastante ciência. Deixo apenas o meu registro de que, assim como tudo o que foi transformado e dificultado nesse período de pandemia, com meu trabalho não foi diferente.

Vamos seguir em frente que daqui a pouco vem mais, decidi me desafiar justamente agora que tudo saiu da minha zona de conforto, vamos dar uma sacudida nessas estruturas.