Hoje assisti o documentário na
Netflix chamado O Dilema das Redes. Confesso que fiquei bastante impactada com
tudo o que vi. Indiretamente nós sabemos que todo o sistema de programação das
redes sociais é voltado para te prender na maior quantidade de tempo possível.
A máquina da internet realmente te utiliza como um produto, essa certeza é
reforçada de forma veementemente ao longo de 1h e 30 minutos.
Foram convidados vários funcionários, ex-diretores, criadores e desenvolvedores das redes sociais, é assustador ouvir cada relato de como tudo é montado e qual é real pretensão. É engraçado saber que eles não permitem de forma alguma que seus filhos tenham acesso aos celulares e conteúdos que os próprios pais criaram, infelizmente ninguém melhor do que eles para saberem os danos irrecuperáveis que essa exposição causa. É terrível saber à proporção que alcança, as consequências graves como o aumento da depressão, ansiedade e suicídio. Jovens que tiveram acesso a celulares com internet antes de chegarem ao ensino médio, terão implicações imensuráveis na vida.
Existem apenas duas indústrias
que chamam seus clientes de usuários: a de drogas e a de software.” Edward
Tufte
Foi montada uma narrativa de como
funciona na prática os mecanismos de programação, um jovem lidando com a
abstinência da tela do celular, por trás o desespero “da rede” ao constatar a
sua ausência, e como são utilizadas as ferramentas para atraí-lo novamente. É
incrível como são utilizados conceitos até da própria psicologia e neurociência
como ferramentas para alienação. A sensação é que realmente somos uma espécie
de robô programados, e agimos fora do nosso domínio próprio. Nossa vontade,
gostos, ideias, opiniões, consumo, conceitos, são todos implantados de forma
imperceptível. A inteligência artificial já é uma realidade que domina o mundo,
embora muitos ainda neguem.
Como os algoritmos monitoram e armazenam
todos os movimentos que fazemos na internet, curtidas, pesquisas, sites que
visitamos, quanto tempo visualizamos uma foto, qual tipo de foto, qual pessoa
nos relacionamos. Tudo é codificado e programado para que seja entregue na
nossa cara cada vez mais produtos e temas que de nosso interesse, na pretensão de
nos manter fixados na tela, vender produtos e assim movimentar a máquina que
gera milhões em publicidade para os próprios sites.
“Queridos usuários de redes
sociais, se o serviço é de graça, então você é o produto.”
Fugindo um pouco da parte
publicitária, temos também o lado ideológico, implantação de teorias absurdas, pessoas
são persuadidas a acreditarem em conceitos impossíveis de fazer sentido em um
mundo real, como por exemplo que a terra é plana. Um espaço fértil para
manipulação da opinião pública e a polarização política, e cada vez mais a
internet joga conteúdos diretamente relacionados ao seu interesse, levando a
consumir apenas o que acredita, tornando-o uma verdade absoluta. A construção
do pensamento crítico só é saudável quando temos acesso ao contraditório.
Boatos, teorias da conspiração,
fake news, amplificação de fofocas, ao ponto de não sabemos mais o que é
verdade ou mentira. A covid-19 é o maior exemplo disso, já ouvimos os mais
variados discursos, ficamos completamente desorientados, induzindo pessoas a
tomarem atitudes impensáveis.
“Criamos um sistema inclinado às
informações falsas. Não intencionalmente, mas porque as informações falsas
levam mais lucro para as empresas do que a verdade, que é chata. É um modelo de
negócio que lucra com a desinformação.”
Enfim, eu tenho tanta pauta para falar
sobre esse assunto, defendo que o debate seja amplamente discutido, pretendo
sim abordar mais vertentes que desencadeiam o tema, a princípio vou finalizar
aqui. Assistir o documentário realmente foi bastante impactante para mim.

