segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Feriadão da independência: a covid-19 tirou uma folga

 


Experimentei essa sensação ao observar os inúmeros stories no meu instagram e as imagens nas mídias, por algum motivo o coronavírus deu um desconto e permitiu que a população, que não aguentava mais ficar trancafiada, curtisse um feriadão na praia. O que observamos foram vários registros como esse em diversos lugares do país.

As autoridades flexibilizaram as restrições do isolamento social, praticamente todos os estabelecimentos foram autorizados a funcionar, mas não com sua capacidade máxima, porém, como já conhecemos bem nossa população, a falta do bom senso sempre esteve presente. Replicando a frase que muito ouvi na adolescência: querer não é poder. As pessoas que gritavam desesperadas "fiquem em casa" quando a Paraíba registrava 100 casos, são as primeiras a se jogarem em aglomerações quando atingimos 100 mil infectados.

Confesso que sou privilegiada. Cumprir o isolamento em casa, por um longo período, não causa prejuízos em minha saúde mental. Gosto da solitude, calmaria, silêncio e mergulhar nos próprios pensamentos. Ou seja, fez até bem. Não sou fã de praia durante o dia, só vou quando sou convidada, e por causa das companhias. Mesmo assim não faço tanta questão de entrar no mar. O custo x benefício de ficar toda preguenta com sal e areia, os olhos ardendo e o cabelo duro, não é atrativo para mim. Repito, vou quantas vezes for preciso, principalmente em viagem de férias ou com amigos, mas não é uma escolha que faço em um dia comum do meu final de semana. Acordei em um sábado e bateu aquela vontade de ir à praia, não mesmo.

Mas vamos lá, da mesma forma que detesto quando os outros querem que eu seja igual a eles, não dá para pedir que sejam iguais a mim. É óbvio que meu perfil se encaixa tranquilamente em um isolamento prolongado. Não sou afetada com consequências mais graves por não sair de casa e visitar lugares. Mas nem todos conseguem tal façanha, e está tudo bem. Já falei aqui, que chato seria o mundo onde todos fossem iguais.

Não consigo condenar quem opta por sair de casa. Porém, infelizmente a pandemia ainda não acabou, essa suave sensação de que fomos "libertos" pode ser uma cilada. Ninguém tem obrigação de ser um prisioneiro, mas temos o dever de sermos cuidadoso até mesmo em nosso momento de descanso. Eu defendo que cada um tenha o seu tempo de lazer tomando as devidas precauções, não escolher lugar e horário em que sabemos que existe possibilidade de lotação. É o mínimo que podemos fazer para que não sejamos atingidos por outro pico. Que sejamos responsáveis.


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