Experimentei essa sensação ao
observar os inúmeros stories no meu instagram e as imagens nas mídias, por
algum motivo o coronavírus deu um desconto e permitiu que a população, que não
aguentava mais ficar trancafiada, curtisse um feriadão na praia. O que observamos foram vários
registros como esse em diversos lugares do país.
As autoridades flexibilizaram as
restrições do isolamento social, praticamente todos os estabelecimentos foram autorizados
a funcionar, mas não com sua capacidade máxima, porém, como já conhecemos bem
nossa população, a falta do bom senso sempre esteve presente. Replicando a
frase que muito ouvi na adolescência: querer não é poder. As pessoas que
gritavam desesperadas "fiquem em casa" quando a Paraíba registrava 100
casos, são as primeiras a se jogarem em aglomerações quando atingimos 100 mil
infectados.
Confesso que sou privilegiada.
Cumprir o isolamento em casa, por um longo período, não causa prejuízos em
minha saúde mental. Gosto da solitude, calmaria, silêncio e mergulhar nos
próprios pensamentos. Ou seja, fez até bem. Não sou fã de praia durante o dia,
só vou quando sou convidada, e por causa das companhias. Mesmo assim não faço
tanta questão de entrar no mar. O custo x benefício de ficar toda preguenta com
sal e areia, os olhos ardendo e o cabelo duro, não é atrativo para mim. Repito,
vou quantas vezes for preciso, principalmente em viagem de férias ou com
amigos, mas não é uma escolha que faço em um dia comum do meu final de semana.
Acordei em um sábado e bateu aquela vontade de ir à praia, não mesmo.
Mas vamos lá, da mesma forma que
detesto quando os outros querem que eu seja igual a eles, não dá para pedir que
sejam iguais a mim. É óbvio que meu perfil se encaixa tranquilamente em um
isolamento prolongado. Não sou afetada com consequências mais graves por não
sair de casa e visitar lugares. Mas nem todos conseguem tal façanha, e está
tudo bem. Já falei aqui, que chato seria o mundo onde todos fossem iguais.
Não consigo condenar quem opta
por sair de casa. Porém, infelizmente a pandemia ainda não acabou, essa suave
sensação de que fomos "libertos" pode ser uma cilada. Ninguém tem
obrigação de ser um prisioneiro, mas temos o dever de sermos cuidadoso até
mesmo em nosso momento de descanso. Eu defendo que cada um tenha o seu tempo de
lazer tomando as devidas precauções, não escolher lugar e horário em que sabemos
que existe possibilidade de lotação. É o mínimo que podemos fazer para que não
sejamos atingidos por outro pico. Que sejamos responsáveis.

Nenhum comentário:
Postar um comentário