domingo, 13 de setembro de 2020

Documentário: O Dilema das Redes

 


Hoje assisti o documentário na Netflix chamado O Dilema das Redes. Confesso que fiquei bastante impactada com tudo o que vi. Indiretamente nós sabemos que todo o sistema de programação das redes sociais é voltado para te prender na maior quantidade de tempo possível. A máquina da internet realmente te utiliza como um produto, essa certeza é reforçada de forma veementemente ao longo de 1h e 30 minutos.

Foram convidados vários funcionários, ex-diretores, criadores e desenvolvedores das redes sociais, é assustador ouvir cada relato de como tudo é montado e qual é real pretensão. É engraçado saber que eles não permitem de forma alguma que seus filhos tenham acesso aos celulares e conteúdos que os próprios pais criaram, infelizmente ninguém melhor do que eles para saberem os danos irrecuperáveis que essa exposição causa. É terrível saber à proporção que alcança, as consequências graves como o aumento da depressão, ansiedade e suicídio. Jovens que tiveram acesso a celulares com internet antes de chegarem ao ensino médio, terão implicações imensuráveis na vida. 

Existem apenas duas indústrias que chamam seus clientes de usuários: a de drogas e a de software.” Edward Tufte

Foi montada uma narrativa de como funciona na prática os mecanismos de programação, um jovem lidando com a abstinência da tela do celular, por trás o desespero “da rede” ao constatar a sua ausência, e como são utilizadas as ferramentas para atraí-lo novamente. É incrível como são utilizados conceitos até da própria psicologia e neurociência como ferramentas para alienação. A sensação é que realmente somos uma espécie de robô programados, e agimos fora do nosso domínio próprio. Nossa vontade, gostos, ideias, opiniões, consumo, conceitos, são todos implantados de forma imperceptível. A inteligência artificial já é uma realidade que domina o mundo, embora muitos ainda neguem.

Como os algoritmos monitoram e armazenam todos os movimentos que fazemos na internet, curtidas, pesquisas, sites que visitamos, quanto tempo visualizamos uma foto, qual tipo de foto, qual pessoa nos relacionamos. Tudo é codificado e programado para que seja entregue na nossa cara cada vez mais produtos e temas que de nosso interesse, na pretensão de nos manter fixados na tela, vender produtos e assim movimentar a máquina que gera milhões em publicidade para os próprios sites.

“Queridos usuários de redes sociais, se o serviço é de graça, então você é o produto.”

Fugindo um pouco da parte publicitária, temos também o lado ideológico, implantação de teorias absurdas, pessoas são persuadidas a acreditarem em conceitos impossíveis de fazer sentido em um mundo real, como por exemplo que a terra é plana. Um espaço fértil para manipulação da opinião pública e a polarização política, e cada vez mais a internet joga conteúdos diretamente relacionados ao seu interesse, levando a consumir apenas o que acredita, tornando-o uma verdade absoluta. A construção do pensamento crítico só é saudável quando temos acesso ao contraditório.

Boatos, teorias da conspiração, fake news, amplificação de fofocas, ao ponto de não sabemos mais o que é verdade ou mentira. A covid-19 é o maior exemplo disso, já ouvimos os mais variados discursos, ficamos completamente desorientados, induzindo pessoas a tomarem atitudes impensáveis.

“Criamos um sistema inclinado às informações falsas. Não intencionalmente, mas porque as informações falsas levam mais lucro para as empresas do que a verdade, que é chata. É um modelo de negócio que lucra com a desinformação.”

Enfim, eu tenho tanta pauta para falar sobre esse assunto, defendo que o debate seja amplamente discutido, pretendo sim abordar mais vertentes que desencadeiam o tema, a princípio vou finalizar aqui. Assistir o documentário realmente foi bastante impactante para mim.


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