Deixo tudo assim
Não me importo em ver a idade em mim
Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto
Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer, que eu preciso sim
De todo o cuidado
E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem então agora eu seria?
Ah, tanto faz
Que o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar
Mas eu, quem será?
Deixo tudo assim
Não me acanho em ver
Vaidade em mim
Eu digo o que condiz
Eu gosto é do estrago
Sei do escândalo
E eles têm razão
Quando vêm dizer
Que eu não sei medir
Nem tempo e nem medo
E se eu for
O primeiro a prever
E poder desistir
Do que for dar errado?
Ah
Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão
Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição
Vou levando assim
Que o acaso é amigo
Do meu coração
Quando fala comigo
Quando eu sei ouvir
Eu sou muito encantada por essa
música, já ouvi centenas de vezes. É uma típica reflexão sobre a vida, e
refletir sobre a vida tem total relação comigo. A interpretação que tenho é que
se trata de uma conversa entre um moço e um velho, porém, ambos são a mesma pessoa.
A sabedoria de um velho que se encontra cheio de questionamentos quanto as suas
escolhas feitas ao longo da vida. O que mais brilha em meus olhos é quando ele
questiona como seria se ele tivesse feito escolhas diferentes “quem então agora
eu seria?”. Logo após temos uma
constatação de conformidade com a vida que escolheu “se o que eu sou é também o
que eu escolhi ser, aceito a condição”. Observamos também um ponto forte de autorresponsabilidade,
temos a obrigação de assumir as rédeas da própria vida e carregar as
consequências dos nossos atos “se não sou eu quem mais vai decidir o que é bom
pra mim? Dispenso a previsão”.
É justamente a meditação que faço
sobre a minha vida, não tenho nenhum fetiche de voltar no tempo e fazer
escolhas diferentes, estou satisfeita com a vida que tenho porque ela é fruto
das minhas decisões e assumo total responsabilidade sobre elas. Tudo que aconteceu
foi necessário para formar quem eu sou, e aceito essa condição, até porque o
tempo não volta, e ficar nessa ilusão de supor como seria é um fardo bem
desgastante para carregar.
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