quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Los Hermanos - O velho e o moço

 



Deixo tudo assim
Não me importo em ver a idade em mim
Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto

Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer, que eu preciso sim
De todo o cuidado

E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem então agora eu seria?

Ah, tanto faz
Que o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar
Mas eu, quem será?

Deixo tudo assim
Não me acanho em ver
Vaidade em mim
Eu digo o que condiz
Eu gosto é do estrago

Sei do escândalo
E eles têm razão
Quando vêm dizer
Que eu não sei medir
Nem tempo e nem medo

E se eu for
O primeiro a prever
E poder desistir
Do que for dar errado?

Ah
Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão

Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição

Vou levando assim
Que o acaso é amigo
Do meu coração
Quando fala comigo
Quando eu sei ouvir


Eu sou muito encantada por essa música, já ouvi centenas de vezes. É uma típica reflexão sobre a vida, e refletir sobre a vida tem total relação comigo. A interpretação que tenho é que se trata de uma conversa entre um moço e um velho, porém, ambos são a mesma pessoa. A sabedoria de um velho que se encontra cheio de questionamentos quanto as suas escolhas feitas ao longo da vida. O que mais brilha em meus olhos é quando ele questiona como seria se ele tivesse feito escolhas diferentes “quem então agora eu seria?”.  Logo após temos uma constatação de conformidade com a vida que escolheu “se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, aceito a condição”. Observamos também um ponto forte de autorresponsabilidade, temos a obrigação de assumir as rédeas da própria vida e carregar as consequências dos nossos atos “se não sou eu quem mais vai decidir o que é bom pra mim? Dispenso a previsão”.

É justamente a meditação que faço sobre a minha vida, não tenho nenhum fetiche de voltar no tempo e fazer escolhas diferentes, estou satisfeita com a vida que tenho porque ela é fruto das minhas decisões e assumo total responsabilidade sobre elas. Tudo que aconteceu foi necessário para formar quem eu sou, e aceito essa condição, até porque o tempo não volta, e ficar nessa ilusão de supor como seria é um fardo bem desgastante para carregar.


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