Se tem
uma palavra que me descreve esse ano, posso dizer que é desconstrução. Alguns
conceitos e comportamentos que até um dia desses estavam redondinhos na minha
cabeça, precisaram ser revistos e ajustados. Ainda carrego muitos medos, porém,
os dois maiores deles estou me forçando a enfrentar, o medo do julgamento e o
medo de perder, cheguei à conclusão de que o medo de perder fez com que eu me
perdesse de mim mesma.
Na verdade, ambos os medos foram
os guias que conduziram boa parte dos meus comportamentos, me vi na obrigação
de me moldar com as características de cada grupo no qual estava inserida, isso
abrangia inclusive deixar os outros acreditarem que compactuo com as mesmas
convicções. Onde já se viu? É um verdadeiro ato de covardia. Eu sempre achei
que era um baita pé no saco ficar empurrando goela abaixo aquilo que acredito,
mas também se omitir de tal forma apenas para evitar o enfrentamento e
conflitos, já é um exagero. Tudo em prol de um bem maior, preservar o vínculo com uma pessoa boa, priorizar uma relação que em alguma medida te fez bem. No entanto, o preço acaba por ser alto e é preciso avaliar se realmente vale a pena.
A decisão foi recategorizar a forma
como lido com cada grupo. Aquelas pessoas que tenho total liberdade para ser
quem eu sou e expor tudo aquilo que acredito, que compartilham das mesmas
visões, interesses da vida adulta e estão interessadas no aprofundamento
genuíno do vínculo, onde existe a confiança, abertura e manutenção da relação,
essas terão prioridade na minha dedicação, são os que me fazem bem, trazem
substância para a vida e quero manter por perto. Os que não possuo vínculo mais
íntimo e não tenho pretensão de ter, não precisarei fazer esforço nenhum e nem
tentarei expor minhas questões mais pessoais. E aqueles onde o tempo passou e a
vida foi naturalmente desalinhando o ritmo da conexão, percebe-se que a união
era baseada naquilo que não existe mais, em um “eu” que ficou no passado. A
compatibilidade ficou pelo caminho e não houve esforço suficiente para
reinventar e encontrar pontos de afinidade na vida adulta, que podem justamente
ser diferentes ao que tinha antes, a relação torna-se um eterno rememorar coisas
do passado que não fazem mais sentido. Esses ficarão registrados na memória, e nossos
encontros serão apenas para resgatar algo que já foi bom um dia, porém, que não
permaneceu com a profundidade que um dia existiu.
Por pura coincidência, no exato
momento que escrevo esse texto, o Padre Fábio faz uma postagem resumindo tudo o
que falei. “Opte pela autenticidade. Ela fará a seleção natural dos que
deverão seguir com você. Recuse o fardo de querer agradar a todos. É perda de
tempo. Buscar a unanimidade é escravidão. Bom mesmo é estar com os que não lhe
imaginam, com os que quiseram conviver com a sua verdade.”

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