sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Despedindo de 2020

 


Ouvi alguém falar que seria uma grande falta de respeito afirmar que 2020 foi um ano bom, de mudanças, aprendizados, coisas agradáveis e etc. Acredito que é bobagem querer que todos tenham o mesmo sentimento sobre o que vivemos esse ano, mesmo que estejamos passando por uma pandemia que devastou a vida de muitos. Cada um reage completamente diferente com aquilo que a vida nos entrega, é por isso que algumas pessoas ficam profundamente abaladas com a perda de um animal de estimação, enquanto outras conseguem ressignificar e superar a perda de todos os familiares, temos o próprio Viktor Frankl como exemplo. É uma experiência muito pessoal, que exerce influência de inúmeros fatores, seja a filosofia de vida, instalação na realidade, crença no transcendente, reflexão sobre a morte e sentido de existência.

Estou aqui, pertinho da hora da virada e tentando descrever como foi esse ano para mim. 2020 já tinha um significado especial para mim, pois marcaria a minha entrada na casa dos 30 anos, o que é um simbolismo pessoal e muito importante para mim. Estava disposta a fazer algumas mudanças e repensar várias questões da minha vida. Por isso desde 2019 eu já estava me preparando para esse ano, por coincidência ou não, foi exatamente isso que me ajudou a ter um 2020 mais “tranquilo”, eu já estava em um processo nos anos anteriores e foi a razão de ter sido mais fácil superar os desafios do ano.  

Nem de longe eu imaginava que seria dessa forma, com certeza um ano que nos forçou a testar nossa capacidade de adaptação às mudanças e superação dos obstáculos. Testou nossa paciência, a habilidade de tentar processar uma chuva de informações totalmente desconexas brotando por todos os lados, algumas nos deixando apavorados, outras confusos e incertos. Incertezas, outra palavra que encaixa perfeitamente, não sabíamos o que poderia acontecer, se nossas vidas seriam preservadas, nossos empregos, nossa liberdade e nosso futuro. Praticamente um tiro no escuro. Nem preciso reafirmar o quanto ficou claro que nós não somos nada, estamos reféns de um vírus praticamente invisível. Não custa nada refletir sobre nossa pequenez.

No futuro certamente teremos muitas pautas para serem levantadas ao repensarmos sobre 2020, ninguém gosta de associar o sofrimento como uma grande fonte de aprendizado, amadurecimento e superação. Mas infelizmente a dor também é uma didática. Tem uma frase de C.S. Lewis que diz assim “Deus sussurra em nossos ouvidos por meio de nosso prazer, fala-nos mediante nossa consciência, mas clama em alta voz por intermédio de nossa dor; este é o seu megafone para despertar o homem surdo”. Nós não temos o controle sobre nossas vidas.


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