Vou tentar compartilhar alguns
ensinamentos dos livros que leio, o primeiro será Ego Transformado de Timothy
Keller. Livreto bem pequeno, apenas 45 páginas, porém com uma força que
consegue fazer estrago de tanto impacto. Principalmente por contrariar todo o
conceito implementado pelo senso comum.
Confesso que sempre vi com olhar de desconfiança esse discurso de que você tem que se amar primeiro, ter autoestima elevada, se colocar em primeiro lugar sempre para não ser engolida e se sujeitar a qualquer coisa. Algo em mim acreditava que não fazia muito sentido, que essa ênfase estava mais alinhada com o egoísmo, do que com a proteção e valorização em si. Eu ouvia, fingia concordar e seguia achando estranho. Isso significa que sempre soube a dosagem ideal do meu ego? Não mesmo! Da mesma forma que existe o ego superinflado, também temos o ego desinflado e com complexo de inferioridade, que é perigoso. Descobri que o caminho ideal é ter um ego abastecido com algo sólido, é justamente essa a proposta apresentada no livro. Vou fazer um resumo utilizando as próprias palavras do livro.
"Orgulho espiritual é a ilusão de que temos competência, sem Deus, para conduzir a vida, desenvolver nosso próprio senso de valor pessoal e descobrir um propósito grande o bastante para dar sentido à vida. Se tentarmos colocar qualquer coisa no lugar reservado originalmente a Deus, vai sobrar muito espaço. Tudo o que colocamos ficará chacoalhando lá dentro. Não nos esqueçamos, então, de que o ego humano é vazio."
No primeiro capítulo já somos
confrontados com a ideia da autoestima elevada. Até o século 20, as culturas tradicionais
acreditavam que a autoestima elevada demais era a causa de todos os males. A
culpa era de hubris (soberba). Hoje existe um consenso totalmente
oposto, de que as pessoas agem mal por falta de autoestima, mas nada comprova
que seja verdade. No entanto, essa teoria é bastante atraente, uma vez que não
será necessário fazer juízo moral sobre o ato, basta animar a pessoa e ajudá-la
a se desenvolver. Em 1Corintios o apóstolo Paulo apresenta uma abordagem
completamente diferente.
1. - A
condição natural do ego: orgulho superinflado, inchado, inflamado e expandido
além do tamanho normal, essa é a condição natural do ego. Ele é vazio,
dolorido, atarefado e frágil.
Vazio: Se tentarmos colocar qualquer
coisa no lugar reservado a Deus, vai sobrar muito espaço, tudo o que colocarmos
vai ficar chacoalhando. Não temos competência, sem Deus, para conduzir a vida.
Dolorido: O ego vive chamando
atenção para si todos os dias, ele não ficaria dolorido se não tivesse algo de
errado com ele. O ego nunca se sente feliz.
Atarefado: Faz de tudo para ser
notado. É incansável em duas tarefas: a comparação e vanglória. É o prazer de
ter mais que os outros, de ser mais que os outros e desenvolver um currículo
que aumente a autoestima, uma vez que está desesperado por compensar o
sentimento de impotência e vazio.
Frágil: Qualquer coisa
superinflada corre perigo de estourar.
2. - Visão transformada do eu: não me importo com o que pensam de mim, nem mesmo o que eu penso. Minha consciência está limpa, mas isso não me torna inocente. Tentar alavancar a autoestima seguindo nossos critérios ou de terceiro é uma armadilha. Humildade é pensar menos em mim. Agora surge o conceito de autoesquecimento. Falam que a única solução para a baixa autoestima é o orgulho, mas essa não é a solução.
"A pessoa verdadeiramente humilde não é aquela que se odeia ou se ama, e sim a que tem a humildade do evangelho. É uma pessoa que se esquece de si mesma e cujo ego é igual aos dedos dos pés. Eles simplesmente exercem sua função. Não implora por atenção. Os dedos simplesmente trabalham; o ego simplesmente trabalha. Nem o ego, nem os dedos chamam atenção para si."
A humildade significa ser um ego
satisfeito, e não inflado. A pessoa não se odeia e nem se ama, ela se esquece e
não chama atenção para si. Não se sente ferida e nem mal ao ser criticada, a
pessoa que fica arrasada ao ser criticada valoriza demais a opinião alheia.
Tanto a baixa autoestima quanto o orgulho são transtornos terríveis para nosso futuro.
É o senhor quem nos julga, a opinião de Deus é a única que interessa. No
cristianismo, assim que cremos, Deus nos imputa as ações perfeitas de Cristo e
nos adota.
Sem dúvida é um livro que deve
ser visitado várias vezes, ele é curto, profundo e objetivo, seus ensinamentos
são indispensáveis nos dias de hoje, principalmente quando temos uma chuva de
orientações distorcidas daquilo que está alinhado com o que Deus espera de nós.
Vale a leitura.

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