Uma mulher forte, independente,
corajosa, decidida, desenrolada e sem frescura. Arrisco a dizer que é assim que
a maioria das pessoas me enxergam, em certo grau até concordo, porém, em meio a
tantas características que represente um certo rigor, é possível encontrar
alguém bastante sensível, e posso afirmar com convicção que minha sensibilidade
me salva. Contraditório? Basta lembrar que existe diferença entre fragilidade e
sensibilidade. Fragilidade tem mais relação com nossa estrutura, com a
fraqueza, já a sensibilidade é uma percepção mais aguçada sobre algumas coisas,
que sente as impressões interiormente com mais profundidade.
É aquilo que te faz ficar
encantada ao observar crianças brincando e toda a beleza que envolve e mora na
inocência. Que permite parar, assistir ao pôr do sol, perceber a perfeição e
poesia desse espetáculo da natureza. Que consegue identificar um olhar sincero
e carinhoso, motivo suficiente para transformar um dia péssimo em maravilhoso.
É o que te faz observar pessoas com atos de gentileza, mostrando que ainda é
possível acreditar em um resquício de humanidade. É o que te faz confiar que
ainda existem pessoas dispostas a doarem sua vida em amor. É o que te faz
sonhar com a eternidade, enxergar bondade e beleza na vida.
É isso que me salva, que não me
permite ser jogada na onda que só enxerga a barbárie humana, de quem consome e
internaliza apenas as desgraças noticiadas diariamente, de quem vive mergulhado
em um pessimismo crônico, de quem acorda murmurando por ter que trabalhar, que
se joga em um buraco e tenta te levar junto. Que não me deixa ser engolida pela
rotina e esquecer do que realmente importa na vida. De quem desprezou o ser
humano, que não acredita em valores como a lealdade, fidelidade, compromisso e
relações duradouras.
Acredito que ser forte e ao mesmo
tempo sensível faz parte de um exercício que te leva a uma vida bem vivida, é a
harmonia que busco cultivar.

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