O preço que se paga por ser autêntico é alto demais, principalmente por viver em uma sociedade que não entende a força dessa escolha. Você não se conforma com as normas ditadas, resiste à tentativa de fingir algo ou sentimentos, não se curva facilmente à opinião alheia, não aceita o fluxograma padrão estabelecido, padrão esse que força muitas pessoas a seguirem de forma irracional, sem pensar nas consequências, nem refletir sobre como pode influenciar na vida e felicidade de terceiros. Você não aceita, de forma alguma, viver uma mentira, por mais que racionalmente seja o caminho “correto”; você não aceita se esconder por trás de um personagem.
Ser autêntico custa um preço
alto, cobrado por quem nos cerca, por quem não reconhece a liberdade de ser de
verdade, sem falsidade ou máscaras. Afinal, viver sem máscaras é um presente ao
mundo e a você mesmo. Ser você é o que te faz deitar com tranquilidade, pois
dentro de si ecoa a frase: “pensem o que quiserem, falem o que quiserem, eu sei
quem eu sou e fiz minhas escolhas”.
Existe uma necessidade humana: o
vínculo e o apego. Sim, temos o anseio de sermos amados e de termos proximidade
emocional com outros, e, em nome disso, sacrificamos um pouco da nossa
autenticidade para manter a validação do outro. Eu já fiz isso. É como falar
algo que seja aceitável para o outro, enquanto dentro de si gritava algo
diferente. É guardar numa caixinha seus princípios para não conflitar com o
outro, para manter a harmonia na relação. Mas quem é autêntico não consegue
sustentar isso por muito tempo. Uma hora você não aguenta mais e chega à
conclusão de que, se não pode ser livre dentro de uma relação para ser quem é,
não vale a pena permanecer ali, se anulando para se encaixar.
Provavelmente você já viu uma
amiga de longa data que, ao iniciar um relacionamento, se moldou ao jeito do
parceiro de forma tão intensa que acabou perdendo um pouco da própria
personalidade. Ou seja, a necessidade de viver um relacionamento era tão forte
que ela estava disposta a abrir mão de parte de si mesma. E esse é um princípio
forte dentro de mim: prefiro mil vezes abrir mão de uma relação que não é
recíproca, verdadeira, onde não haja amor, cumplicidade e lealdade, onde não
tenha liberdade para ser o que é, do que viver algo apenas para cumprir tabela,
suprir carência ou medo da solidão. Abro mão tranquilamente.
Aos 16 anos, fui vítima de um
boato espalhado por uma pessoa que me viu crescer, apenas pelo simples fato de
não ter a conduta “padrão” de uma adolescente, abrindo margem para julgamentos
e distorções da realidade. Não tive maturidade para lidar com isso; a raiva era
tão grande que nunca mais olhei na cara da pessoa, que faleceu pouco tempo
depois.
Até hoje percebo que essa falta
de adequação ao comportamento padrão traz uma série de teorias, julgamentos e
certezas sobre quem você é, mesmo sem nunca terem nenhuma confirmação pessoal
sobre isso. Aí me pergunto: será que eu me importo o suficiente com essas
pessoas a ponto de me desgastar com justificativas sobre quem sou? Ou foda-se,
não preciso provar nada a ninguém. Deixo esse privilégio apenas aos poucos que
possuem acesso a mim de forma profunda, que terão abertura com alguém de
verdade, disposta a estabelecer conexões genuínas, intensas e reais.
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