Recebi muitos pedidos para voltar
a escrever, não era uma multidão (máximo 3 pessoas), mas eram insistentes.
Gente que me conhece para entender o quanto é importante. Talvez por perceber
minha dificuldade em me expressar verbalmente e reconhecer a avalanche que
carrego por dentro: pensamentos, reflexões, autoanálise. Mergulho de cabeça no
meu mundo interno e escrever é a melhor forma de colocar para fora.
Essa inclinação vem de longe. Na infância, no intervalo da escola, eu me
afastava para ficar em silêncio sozinha. Antes de dormir, passava horas na
janela, olhando o céu e dividindo pensamentos com Deus. Quando meus pais
estavam com os amigos da igreja, eu observava, ouvia as conversas, inclusive
questionava internamente as incoerências.
Percebo que quem vive na superfície parece passar com mais leveza pelo mundo.
Não digo com julgamento, são formas diferentes de encarar a vida. Alguns
preferem não olhar para suas sombras, por medo do que possam encontrar, ou
fingem que a dor não está ali, e isso poupa da dificuldade de lidar com a
complexidade da vida. Talvez eu sinta um pouco de inveja, eles parecem mais
leves e despreocupados, talvez porque disfarçam bem suas angústias, ou porque
nunca as enfrentaram de fato. Enquanto isso, nós lutamos para não sermos engolidos
pelos próprios pensamentos. Para que a ruminação não nos paralise, para que a
sensação de inadequação e inconformismo não sabotem nossa rotina.
Mas também reconheço os benefícios: raramente somos imprudentes, somos
criteriosos nos relacionamentos, atentos aos detalhes, cuidadosos nas escolhas,
práticos, melhoramos as relações, não somos facilmente atraídos por pensamentos
que deixam pessoas bitoladas, buscamos autoconhecimento, entre outros.
Mas a vida já vem com um script pronto, basta seguir. Pra que questionar e
tentar algo diferente do que “funcionou” por séculos? Não sei. Só sei que
adotei um lema: não quero minha vida igual a tudo o que vejo. E, prestes a
fazer 35, não me arrependo de nenhuma escolha. Cada um lida com a dor e a
delícia de ser quem é.
"As vezes, enxergo tão profundamente a vida que, quando olho ao redor,
percebo que ninguém me acompanhou e que meu único companheiro é o tempo."
domingo, 14 de setembro de 2025
Mergulho no mundo interior
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