Na última sexta-feira eu vivi uma das experiências mais atrevidas e impactantes da minha vida. Postei um vídeo nos stories do Instagram, onde eu escancarava para meus seguidores uma das minhas maiores vulnerabilidades: exposição pública. Não existe algo que provoque mais pavor em mim do que permitir que eu seja vista, de saber que tenho o olhar de várias pessoas sobre mim, de estar sujeita a críticas cruéis que tentam te diminuir e inferiorizar, de ser alvo de pessoas aparentemente perfeitas que vão apontar o dedo para suas possíveis falhas, de virar motivo de chacota e piadas de quem – covardemente - fica na plateia apenas para atingir quem assume o risco de estar no palco.
Precisei de um tempo para processar quase 40 mensagens recebidas, foram muitas reações, elogios, feedbacks e o mais impressionante de todos, vários relatos e depoimento das pessoas detalhando os seus próprios medos, que se assemelhavam com o que eu tinha acabado de falar.
- Também sou assim e sempre acho que as pessoas vão pensar/falar mal de mim por tal atitude ou fala. Acabo perdendo oportunidades.
- Vejo-me em ti nessa questão de "pôr a cara a tapa" na frente de uma câmera. Eu sou extremamente tímido e vejo que isso me atrapalha muito hoje. Tens meu apoio. Continue. Encara aquilo que te atrapalha.
- Como me identifiquei com o seu relato.
- Valeu pela dica, vai ser muito útil. A gente não muda de uma hora para a outra, a gente evolui e para isso é preciso se desafiar.
Sem contar com os vários “parabéns pela coragem”, ou seja, quase todo mundo associou o fato de expor a minha vulnerabilidade com um ato de coragem. É aí que está a questão, é exatamente nesse ponto que a Brené Brown entra na jogada, faz o gol e corre para a torcida. Para quem ainda não conhece, ela é uma pesquisadora que dedicou a vida ao estudo da vergonha e vulnerabilidade, recomendo que veja os TED’s que estão disponíveis, a palestra na Netflix “The Call to Courage” e o livro A coragem de ser imperfeito, inclusive estou na segunda leitura desse livro, acredito que terei que revisitá-lo várias outras vezes. Minha recomendação é: maratone todo esse material.
Foi uma experiência maravilhosa ver pessoas abrindo o seu coração para mim e confessando os seus medos, tive a oportunidade de conversar e compartilhar os mesmos conflitos. No final foi até terapêutico, de certa forma nos ajudamos.
Mostrar-se imperfeito, falho, com medo, vergonhas e traumas de certa forma te humaniza na relação. O outro vai olhar para você e pensar “eu também sinto o mesmo, ainda bem que não sou a única”. Não tem nada mais terrível do que conviver com alguém que, aparentemente, não enfrentou nenhum problema e nunca passou por uma experiência dolorosa, no final das contas você percebe que não passa de uma fuga, uma máscara que esconde as reais dores que insiste em negar para si mesma. Talvez a metáfora melhor nem seja a máscara e sim a armadura, uma vez que a mesma realmente te deixa mais forte e imponente, porém, é pesada para carregar. Sustentar o peso de uma armadura por muito tempo é um fardo insuportável, certamente em algum momento perderá suas "forças" e desabará. Reerguer-se será bem mais difícil.
O ensinamento mais importante que quero gravar em mim é que, a vulnerabilidade é a medida mais exata de coragem, é essencial para ter uma vida completa e é a principal razão que te conecta em relacionamentos reais.
Que dia, meus caros, que dia.





