sábado, 18 de julho de 2020

Desafio pessoal: A coragem de ser imperfeito




Na última sexta-feira eu vivi uma das experiências mais atrevidas e impactantes da minha vida. Postei um vídeo nos stories do Instagram, onde eu escancarava para meus seguidores uma das minhas maiores vulnerabilidades: exposição pública. Não existe algo que provoque mais pavor em mim do que permitir que eu seja vista, de saber que tenho o olhar de várias pessoas sobre mim, de estar sujeita a críticas cruéis que tentam te diminuir e inferiorizar, de ser alvo de pessoas aparentemente perfeitas que vão apontar o dedo para suas possíveis falhas, de virar motivo de chacota e piadas de quem – covardemente - fica na plateia apenas para atingir quem assume o risco de estar no palco.

Precisei de um tempo para processar quase 40 mensagens recebidas, foram muitas reações, elogios, feedbacks e o mais impressionante de todos, vários relatos e depoimento das pessoas detalhando os seus próprios medos, que se assemelhavam com o que eu tinha acabado de falar.

- Também sou assim e sempre acho que as pessoas vão pensar/falar mal de mim por tal atitude ou fala. Acabo perdendo oportunidades.

- Vejo-me em ti nessa questão de "pôr a cara a tapa" na frente de uma câmera. Eu sou extremamente tímido e vejo que isso me atrapalha muito hoje. Tens meu apoio. Continue. Encara aquilo que te atrapalha.

- Como me identifiquei com o seu relato.

- Valeu pela dica, vai ser muito útil. A gente não muda de uma hora para a outra, a gente evolui e para isso é preciso se desafiar.

Sem contar com os vários “parabéns pela coragem”, ou seja, quase todo mundo associou o fato de expor a minha vulnerabilidade com um ato de coragem. É aí que está a questão, é exatamente nesse ponto que a Brené Brown entra na jogada, faz o gol e corre para a torcida. Para quem ainda não conhece, ela é uma pesquisadora que dedicou a vida ao estudo da vergonha e vulnerabilidade, recomendo que veja os TED’s que estão disponíveis, a palestra na Netflix “The Call to Courage” e o livro A coragem de ser imperfeito, inclusive estou na segunda leitura desse livro, acredito que terei que revisitá-lo várias outras vezes. Minha recomendação é: maratone todo esse material.

Foi uma experiência maravilhosa ver pessoas abrindo o seu coração para mim e confessando os seus medos, tive a oportunidade de conversar e compartilhar os mesmos conflitos. No final foi até terapêutico, de certa forma nos ajudamos.

Mostrar-se imperfeito, falho, com medo, vergonhas e traumas de certa forma te humaniza na relação. O outro vai olhar para você e pensar “eu também sinto o mesmo, ainda bem que não sou a única”. Não tem nada mais terrível do que conviver com alguém que, aparentemente, não enfrentou nenhum problema e nunca passou por uma experiência dolorosa, no final das contas você percebe que não passa de uma fuga, uma máscara que esconde as reais dores que insiste em negar para si mesma. Talvez a metáfora melhor nem seja a máscara e sim a armadura, uma vez que a mesma realmente te deixa mais forte e imponente, porém, é pesada para carregar. Sustentar o peso de uma armadura por muito tempo é um fardo insuportável, certamente em algum momento perderá suas "forças" e desabará. Reerguer-se será bem mais difícil.

O ensinamento mais importante que quero gravar em mim é que, a vulnerabilidade é a medida mais exata de coragem, é essencial para ter uma vida completa e é a principal razão que te conecta em relacionamentos reais.


Que dia, meus caros, que dia.

terça-feira, 14 de julho de 2020

O mundo não está em nossas mãos






Minha geração acreditou que poderia ganhar o mundo.

Quantos de nós recebemos o mérito por sermos o primeiro da família a concluir uma faculdade? Crescemos ouvindo que bastava pegar o diploma, enfiar debaixo do braço e o mundo seria seu. Na roda de conversa da escola era comum cada um falar o que queria ter, um carro x, uma casa y, conhecerei tais lugares, ou seja, tudo o que nossos pais não conseguiram em anos de trabalho duro e braçal. Como se fosse uma simples escolha determinante, sequer imaginaram que tudo não passava de uma fantasia. Não acho que a culpa seja nossa, a verdade é que abriram nossas cabeças, venderam e inculcaram que era o único caminho. O erro de tal discurso foi esquecer de incluir um grande elemento fundamental, a realidade.

A realidade chegou jogando na nossa cara que o mercado não obedecia a essa lógica. Do dia para a noite fomos submetidos à cobrança de habilidades que nunca aprendemos nos livros, você assiste um cargo que teoricamente deveria ser ocupado por você, sendo abocanhado por outro com menos formação e mais aptidões que o mercado precisa. Uma realidade totalmente avessa ao que você foi programado a encarar. O resultado é incontáveis profissionais lutando para ocupar vagas que jamais imaginariam trabalhar, pois, agora quem grita é a sobrevivência.

“É muito fácil você fazer esse discurso, uma vez que exerce a profissão na qual estudou e encontrou estabilidade”. Fui criticada por escolher um curso mediano, onde na lista dos testes vocacionais não garantia os melhores salários, fui criticada por não ter tanta ambição, por não desejar os melhores cargos. Quem é da minha área sabe que, trabalhar em escritório de contabilidade é o sinal de que você não deu certo, é a última opção quando não conseguiu nada melhor. Quem em sã consciência desejaria trabalhar feito um condenado e não ganhar muito? Todos os professores e colegas da faculdade usavam esse tipo de contador como chacota.

Mas enfim, não vim aqui falar sobre mim.

O que eu quero dizer é o seguinte, esteja sempre com os pés instalados na realidade da vida. O desespero aparece para quem ficou enclausurado na prisão do seu mundo ideal, que só existe na sua cabeça. Se você acha que a sua escolha vai determinar a sua felicidade, estará apenas numa prisão e vai se frustrar a vida inteira, mas o fato é que a totalidade da sua vida não está condicionada a ela. É um ato de humildade e coragem encarar a realidade da vida, entender o que ela tenta nos mostrar e agir a partir dela.  Não, você não vai ter o mundo nas suas mãos, não vai conquistar tudo o que quiser, não vai ser o pica das galáxias na sua profissão, não vai jorrar rios de dinheiro na sua conta. Já entendeu isso? Pronto, agora você está preparado para fazer um esforço e tentar se mover a partir do ponto que está.

domingo, 5 de julho de 2020

Conta Bancária Emocional






Gostei tanto de revisitar o livro do Stephen R. Covey que vou aproveitar e encaixar outro tema. É algo aparentemente bobo, mas com um pouco de observação é possível identificar na prática como funciona. Ele nomeou como Conta Bancária Emocional. Seguindo a mesma lógica da conta bancária financeira comum, onde fazemos depósitos, reservas e retiradas, quando necessário. O valor que constará em tal conta será a confiança acumulada no relacionamento, a sensação de segurança que tem com o outro.

Se eu fizer depósitos na conta que tenho com você, através da cortesia, gentileza, honestidade e observação dos compromissos, estou fazendo uma reserva, sua confiança em mim será maior, posso contar com ela no momento que precisar. Posso inclusive cometer algum erro, certamente a minha reserva compensará. Quando a conta é alta, a comunicação é instantânea, fácil e eficaz.

Se eu tiver péssimos hábitos na relação, demonstrando falta de atenção, desrespeito, desconsideração, interromper conversas ou bancar o dono da sua vida, minha conta ficará no vermelho, meu nível de confiança será baixíssimo. Ou seja, não é como fazer um depósito uma vez na vida e ele ficar rendendo a juros compostos até o final da história, compensando todas as retiradas feitas sem prejuízo algum. Os relacionamentos exigem depósitos frequentes e investimentos constantes, quem negligencia tais conceitos não vai perceber seus vínculos sendo deteriorados lentamente ao longo dos anos. Quando o outro não aguentar mais, ele não vai entender como algo simples foi suficiente para o fim da relação, na verdade foi uma pequena faísca que provocou a explosão, uma vez que o outro não foi capaz de perceber o que ocorria durante anos.  

O livro propõe 6 depósitos importantes para aumentar a conta bancária emocional.

- Compreender o indivíduo: é provavelmente um dos depósitos mais importantes, além de contribuir em vários outros. O que é importante para essa pessoa deve ser tão importante para você.

- Prestar atenção às pequenas coisas: nos relacionamentos, as pequenas coisas se equivalem às grandes coisas. Prestar atenção às gentilezas e cortesias, a falta destes, mesmo que minimamente, provocam afastamentos consideráveis.

- Honrar compromissos: não há retirada maior do que fazer uma promessa que seja importante para alguém e depois não cumpri-la.

- Esclarecer as expectativas: cuidado com as expectativas implícitas, elas deverão ser claras e explícitas, caso contrário as pessoas começam a se tornar emocionalmente sensíveis, e basta um mal-entendido para complicar tudo.

- Demonstrar integridade pessoal: inclui a honestidade, contar a verdade, manter a promessa, ter um caráter íntegro.

- As leis do amor e as leis da vida: quando amamos as pessoas de verdade, sem condições, sem restrições, fazemos com que se sintam seguras, fortes e queridas, bem como tranquilas quanto a seu valor intrínseco, identidade e integridade. Seu processo natural de crescimento é encorajado.

Eu tenho a certeza de que relacionamentos são destruídos por ignorarem princípios tão essenciais como estes. De fato, aparentemente são coisas tão bobas mesmo, mas que você deveria começar a se dedicar, caso realmente esteja interessado em manter alguém do seu lado.


sábado, 4 de julho de 2020

Preocupação x Influência



Em alguma postagem citei que detalharia melhor a teoria da preocupação x influência, então vamos lá. Em janeiro de 2019 conheci o trabalho do Stephen R. Covey através do livro Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, seguindo a indicação do Albano, responsável pelo canal Seja uma pessoa melhor. Sem dúvida foi um dos livros que mais trouxeram ensinamentos práticos para minha vida, seguramente será citado mais vezes.

Ao falar sobre a proatividade, o livro cita algumas variáveis que exercem influência em uma postura mais proativa. E uma das maneiras mais eficazes para melhorar a proatividade é observar onde estamos depositando nosso tempo e energia. Temos um universo de preocupações, porém, dentro desse universo existem os pontos que podemos interferir e os que não temos poder de influência. Vou incluir uma imagem abaixo para melhorar a visualização.







Podemos perceber que, questões como a economia do país, clima, desastres naturais e política estão no espaço onde eu não tenho como exercer influência. Onde quero chegar? Estamos vivendo um período delicado em nossa história, passando por uma pandemia viral devastadora, além de todas as implicações que chegam junto com ela, crise econômica, política, de saúde etc. O que eu posso fazer? Ter todos cuidados pessoais e com aqueles próximos a mim, tentar conscientizar quem eu conheço e ajudar o próximo através de doações. Somente! Contabilizar diariamente quantos morreram, acumular notícias e histórias das vítimas, ficar enfurecido com as frequentes negligências e desvio de verbas pelos políticos corruptos. O que pode acontecer? Você vai ficar acumulando sentimentos ruins, que vão trazer prejuízos para a sua saúde mental e não vai resolver o problema. Me diga se não é uma péssima escolha.

As pessoas ficam monitorando as notícias para saber qual foi a próxima besteira que o presidente falou, absorvem aquilo e ficam mal, não satisfeitas ainda espalham para todos compartilharem desse mesmo sentimento de indignação. Ganhou o que? Se você não for um grande influencer digital com milhões de seguidores, não for um grande empresário ou um político, sozinho não tem influência nenhuma sobre a crise econômica ou política. Estou pedindo para que seja um ignorante? Não. Eu mesma me deparar com alguma notícia dessa, escolho simplesmente não depositar minha preocupação.

“As pessoas reativas, concentram os esforços no Círculo de Preocupação. Seu foco recai na fraqueza dos outros, nos problemas do meio ambiente, nas circunstâncias que fogem a seu controle. Este foco resulta em atitudes acusatórias e lamentações, linguagem reativa e postura de eterna vítima. A energia negativa gerada por essa postura, somada à negligência com relação aos setores em que poderia atuar, provoca o encolhimento do Círculo de Influência. Enquanto focalizamos nossas energias nestes aspectos, fomos incapazes de progredir.”

Fixar esse pensamento é libertador, ao menos foi para mim. Com isso só nos resta fazer dois movimentos, ou diminuímos o nosso círculo de preocupação ou aumentamos o círculo de influência. Inverter o sentido vai trazer prejuízos incalculáveis para nossa vida.




"Não sobrecarregues os teus dias com preocupações desnecessárias, a fim de que não percas a oportunidade de viver com alegria." André Luiz


Aproveitei o assunto para tomar mais uma decisão, fiz uma limpeza nos perfis que sigo e deixei de seguir todos os que eram dedicados exclusivamente à pauta política, ex: quebrando o tabu, cidadão consciente e até mesmo o sensacionalista. Escolho ser completamente ignorante sobre os ruídos na política, três coisas eu garanto: 1. Ficar de fora não vai fazer a menor diferença na minha vida, 2. Pouparei a minha paz que tanto prezo, e 3. Não vou encher minha cabeça com porcaria a troco de nada, dedicarei o meu tempo ao que realmente me faça bem.
Não quer dizer que ficarei completamente aversa, tenho curiosidade em me aprofundar em conceitos mais teóricos como conservadorismo, comunismo, liberalismo, entre outros, mas não está no topo da minha lista de prioridade.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

O que posto nas redes sociais






Rede social é a vitrine onde seleciono o que quero deixar ser visto em mim, foco em minhas virtudes e oculto minhas falhas, quem opta por entrar nesse mundo deveria estar ciente que é primeira regra.

Casais apaixonados exibem frequentes declarações de amor, fotos de abraços e beijos envolventes. Uma perfeição de relacionamento, típico de novela.

Os solteiros nas suas noitadas, repletas de bebidas e diversão. Desfrutam da liberdade para conhecer lugares incríveis, são donos de si e não prestam contas a ninguém. Um sonho de vida.

As mães são disciplinadas na educação dos filhos, a casa está sempre organizada, o home office com obrigações em dia e metas cumpridas. O projeto da pós-graduação em andamento, além de exercer o papel da esposa carinhosa, disposta e feliz.

Autoestima, cuidado com o corpo e o amor-próprio nas nuvens, selfies exibindo belezas com versículos, frases motivacionais, o “tá pago” dos treinos diários e a comida saudável.

A intelectualidade e vida emocional muito bem equilibradas, livros, aulas, cursos, meditações e a rotina de uma vida plena, como foi ensinada naquela imersão com o coach que mudou sua vida.

Alguns dizem que é uma tentativa de exibir uma imagem maquiada de si, busca por validação através de likes, fingimento ou marketing pessoal, não é responsabilidade minha tentar diagnosticar, cada um faz o que quer. Consigo lidar muito bem com esses conteúdos no meu feed, inclusive também faço o mesmo. Fico preocupada mesmo é quando alguém vem dizer que a própria vida é inútil, uma vez que não consegue fazer tudo o que fulano faz, não tem a mesma desenvoltura que o outro demonstra ter, não encontra essa tal felicidade exibida. É uma tentativa de querer comparar a própria vida em sua totalidade com uma vida recortada que se esforça em mostrar uma perfeição inatingível, não faz muito sentido. Tudo isso aqui é uma péssima métrica da vida real, cair na armadilha de fazer comparações é uma escolha bem perigosa.