quinta-feira, 12 de novembro de 2020

O incomodado que não sabe ficar quieto

 



Não tem como escapar, tudo o que você faz ou deixa de fazer, inevitavelmente vai incomodar alguém em algum momento, principalmente no espaço das redes sociais. A lista é grande, mas vamos citar alguns exemplos: postar o treino, foto do corpo, da comida, da festa, dos animais, do seu time, selfie fazendo bico, frase ou versículo bíblico, vídeos do tik tok, declarações de amor, foto da viagem, dos filhos, divulgação do trabalho, produção de conteúdo, propagar suas crenças, dividir uma reflexão. Com certeza algo nessa lista já te incomodou, e é normal.

Só não é normal alguém que não se contenta apenas em ficar desconfortável, olhar, ignorar e seguir a vida. Existe uma necessidade absurda em tentar atingir de alguma forma, seja direcionando a tal crítica construtiva, questionando suas atitudes, com aquele comentário em tom irônico ou de piada, até mesmo reagindo de forma combativa, numa vaidade para querer refutar e inflar o ego. Confesso que fiz parte isso, e com um exercício de observação pude perceber que o meu incômodo revelava um sintoma. Jogava holofote ao fato de que a pessoa em questão tinha aquilo que não tenho, a coragem para fazer o que quiser, sem estar submisso ao olhar crítico do outro.

O pior é que esse olhar do outro exerce um poder tão forte sobre nossos atos, que em algum momento nos paralisa. E seguimos assim, lutando para não moldar nossas ações ao que o outro espera de nós.

De uma coisa eu sei, sua rede social é um espaço exclusivamente seu, não é público, casa da mãe Joana e muito menos uma democracia. Se qualquer pessoa agir com uma conduta que você julga como desconfortável, seu dever é reagir e comunicar, se assim ainda não for o suficiente, excluir e bloquear. Da mesma forma que ganhou o direito de ser aceito e fazer parte do seu espaço, também pode perder.


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