sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Livro - Ego Transformado, Timothy Keller

 


Vou tentar compartilhar alguns ensinamentos dos livros que leio, o primeiro será Ego Transformado de Timothy Keller. Livreto bem pequeno, apenas 45 páginas, porém com uma força que consegue fazer estrago de tanto impacto. Principalmente por contrariar todo o conceito implementado pelo senso comum.

Confesso que sempre vi com olhar de desconfiança esse discurso de que você tem que se amar primeiro, ter autoestima elevada, se colocar em primeiro lugar sempre para não ser engolida e se sujeitar a qualquer coisa. Algo em mim acreditava que não fazia muito sentido, que essa ênfase estava mais alinhada com o egoísmo, do que com a proteção e valorização em si. Eu ouvia, fingia concordar e seguia achando estranho. Isso significa que sempre soube a dosagem ideal do meu ego? Não mesmo! Da mesma forma que existe o ego superinflado, também temos o ego desinflado e com complexo de inferioridade, que é perigoso. Descobri que o caminho ideal é ter um ego abastecido com algo sólido, é justamente essa a proposta apresentada no livro. Vou fazer um resumo utilizando as próprias palavras do livro.

"Orgulho espiritual é a ilusão de que temos competência, sem Deus, para conduzir a vida, desenvolver nosso próprio senso de valor pessoal e descobrir um propósito grande o bastante para dar sentido à vida. Se tentarmos colocar qualquer coisa no lugar reservado originalmente a Deus, vai sobrar muito espaço. Tudo o que colocamos ficará chacoalhando lá dentro. Não nos esqueçamos, então, de que o ego humano é vazio."

No primeiro capítulo já somos confrontados com a ideia da autoestima elevada. Até o século 20, as culturas tradicionais acreditavam que a autoestima elevada demais era a causa de todos os males. A culpa era de hubris (soberba). Hoje existe um consenso totalmente oposto, de que as pessoas agem mal por falta de autoestima, mas nada comprova que seja verdade. No entanto, essa teoria é bastante atraente, uma vez que não será necessário fazer juízo moral sobre o ato, basta animar a pessoa e ajudá-la a se desenvolver. Em 1Corintios o apóstolo Paulo apresenta uma abordagem completamente diferente.

1.       - A condição natural do ego: orgulho superinflado, inchado, inflamado e expandido além do tamanho normal, essa é a condição natural do ego. Ele é vazio, dolorido, atarefado e frágil.

Vazio: Se tentarmos colocar qualquer coisa no lugar reservado a Deus, vai sobrar muito espaço, tudo o que colocarmos vai ficar chacoalhando. Não temos competência, sem Deus, para conduzir a vida.

Dolorido: O ego vive chamando atenção para si todos os dias, ele não ficaria dolorido se não tivesse algo de errado com ele. O ego nunca se sente feliz.

Atarefado: Faz de tudo para ser notado. É incansável em duas tarefas: a comparação e vanglória. É o prazer de ter mais que os outros, de ser mais que os outros e desenvolver um currículo que aumente a autoestima, uma vez que está desesperado por compensar o sentimento de impotência e vazio.

Frágil: Qualquer coisa superinflada corre perigo de estourar.

2.       - Visão transformada do eu: não me importo com o que pensam de mim, nem mesmo o que eu penso. Minha consciência está limpa, mas isso não me torna inocente. Tentar alavancar a autoestima seguindo nossos critérios ou de terceiro é uma armadilha. Humildade é pensar menos em mim. Agora surge o conceito de autoesquecimento. Falam que a única solução para a baixa autoestima é o orgulho, mas essa não é a solução.    

        "A pessoa verdadeiramente humilde não é aquela que se odeia ou se ama, e sim a que tem a humildade do evangelho. É uma pessoa que se esquece de si mesma e cujo ego é igual aos dedos dos pés. Eles simplesmente exercem sua função. Não implora por atenção. Os dedos simplesmente trabalham; o ego simplesmente trabalha. Nem o ego, nem os dedos chamam atenção para si."

A humildade significa ser um ego satisfeito, e não inflado. A pessoa não se odeia e nem se ama, ela se esquece e não chama atenção para si. Não se sente ferida e nem mal ao ser criticada, a pessoa que fica arrasada ao ser criticada valoriza demais a opinião alheia. Tanto a baixa autoestima quanto o orgulho são transtornos terríveis para nosso futuro. É o senhor quem nos julga, a opinião de Deus é a única que interessa. No cristianismo, assim que cremos, Deus nos imputa as ações perfeitas de Cristo e nos adota.

Sem dúvida é um livro que deve ser visitado várias vezes, ele é curto, profundo e objetivo, seus ensinamentos são indispensáveis nos dias de hoje, principalmente quando temos uma chuva de orientações distorcidas daquilo que está alinhado com o que Deus espera de nós. Vale a leitura.


domingo, 13 de dezembro de 2020

Minha primeira conquista

 


O ano era 2002 e eu tinha apenas 12 anos, surgiu uma onda de celulares na minha turma do colégio, vários colegas de classe ganharam o primeiro celular dos pais e o passatempo favorito tornou-se explorar aquele aparelho na hora do intervalo. Lembro perfeitamente que os mais comuns eram o Nokia 3310 e Siemens A50, o Nokia ao ficar em pé fazia uma espécie de “dança” no ritmo da vibração, todo mundo ficava encantado com aquela tecnologia.




Eu era apenas uma espectadora que observava tudo de longe, uma vez que não tinha ganhado um celular dos meus pais, a sensação era de ser excluída mesmo, ficava triste, cabisbaixa e sentia até uma pitada de inveja. Eu tinha plena consciência que meu pai jamais compraria um celular para mim, primeiro pela condição financeira e segundo porque ele achava extremamente inútil, principalmente para uma adolescente.

Um certo dia estava na biblioteca da escola folheando as revistas e vi o anúncio de lançamento do Nokia 3520, que estava previsto para 2003. Eu lembro de ter ficado completamente apaixonada por ele, principalmente por ter a tela colorida, o que era bem difícil na época. Com esse desejo ambicioso, aumentava ainda mais as chances de não conseguir alcançá-lo, mas eu coloquei na cabeça que queria e esperaria o tempo que fosse preciso para comprar. Na época eu ganhava uma pequena mesada da minha avó paterna, era em torno de 15 a 30 reais por mês que utilizava para “lazer”, meu pai sempre focou em nos fornecer o básico, qualquer mimo além do básico era muito difícil, então comprar doces, pipocas, ir ao cinema ou algo mais específico, utilizava a minha mesada.

Foi então que decidi me organizar financeiramente e guardar algum dinheiro para conseguir comprar o celular dos meus sonhos. Eu comecei a ajudar o meu pai no trabalho dele de pintura e ganhava R$ 5 reais por semana, esperei um bom tempo nessa batalha em prol de conquistar o objetivo. Até o dia que pedi autorização ao meu pai, disse que iria pagar tudo sozinha, chamei a minha mãe para passar o cartão e seguimos para o shopping tambiá. Um dos dias mais felizes da minha vida, principalmente porque valorizei todo o esforço e sacrifício que tive que fazer para comprar. Tirei essa lição com apenas 13 anos.

Hoje eu percebo o quanto foi didático passar por essa experiência, desde muito cedo aprendi a dar importância ao valor das coisas, o quanto precisamos batalhar, trabalhar e fazer sacrifícios para alcançar um sonho, e principalmente sempre agradecer. E dessa forma venho alcançando os sonhos que surgiram após tal episódio, a moto, o apartamento e etc. Tudo com a força do trabalho!


sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Como estou sobrevivendo na pandemia

 


Faz tempo que não apareço aqui para escrever o tradicional “relato da quarentena”, deve ser por não ter ocorrido grandes oscilações na minha rotina, ou talvez seja por pura preguiça mesmo. Mas preciso falar um pouco de algumas mudanças que fiz, e acredito que sejam parte do meu segredo de sobrevivência na pandemia. Primeiro é importante destacar que não existe fórmula mágica ou receita de bolo, principalmente quando o assunto é saúde mental, cada um reage diferente de acordo com as mais variadas atividades, algumas servem para mim e outras não, a mesma regra é para todos. Esse é um dos objetivos do autoconhecimento, saber como você funciona e quais ferramentas são essenciais e úteis para seu benefício. É por isso que tenho raiva quando alguém diz “isso é besteira”, se faz bem para uma pessoa colocar os pés no solo todos os dias, por mais que não faça diferença nenhuma em mim, tenho que respeitar.  

Deixando de papo e vamos ao que interessa.

Melhorar a alimentação – No início da quarentena eu comia muita besteira, industrializados, biscoitos, achocolatados, doritos, refrigerante, chocolate e tudo mais. Foi então que decidi abandonar e focar em frutas, oleaginosas e legumes, já que não sou muito fã das verduras, introduzi alguns sucos também com frutas e verduras.

Exercício físico – Por coincidência o Guerrilha Way lançou o programa de emagrecimento -50T antes mesmo da pandemia, então foi uma mão na roda. No início do ano estava planejando entrar na academia, infelizmente não deu certo, mas o programa chegou na hora certa. Faço aulas de segunda a sexta no zoom e no sábado faço uma corrida entre 4km a 5km.

Dormir – Esse trio é o mais recomendado por todos os médicos, inclusive para prevenir depressão e ansiedade. Posso dizer por experiência própria, faz muita diferença. Um dos benefícios de permanecer no home office é que não preciso acordar muito cedo, então é possível dormir tranquilamente 7h por noite, algo que era muito difícil nos dias normais.

Terapia – Eu já fazia terapia antes mesmo da pandemia, então posso dizer que o meu terreno estava relativamente sendo preparado para enfrentar situações como essas. É infinitamente mais fácil conseguir superar alguns fatos quando temos um acompanhamento psicológico profissional, alguém que nos ouça e auxilie no melhor direcionamento sobre aquilo que ocorre conosco. Se hoje me sinto muito bem, devo muito ao trabalho que desenvolvi juntamente com minha psicóloga. Terapia é vida!  

Home office – No início eu acreditava que seria muito doloroso trabalhar em casa, deixar de ter contato com as pessoas da minha rotina, não encontrar diariamente pessoas importantes para mim. Até um certo tempo foi complicado mesmo, depois percebi que o benefício era maior. Quem trabalha em um escritório de contabilidade sabe como o ambiente pode ser muito estressante, e levando em consideração que a maioria das pessoas “não giram bem da cabeça” (rsrs), pode ser bem pior. Em um exercício de observação percebi que, grande parte do meu estresse diário não era resultado de problemas reais relacionado ao meu trabalho, e sim ruídos, reclamações, queixas e problemas de outras pessoas. Ou seja, eu era uma esponja dos outros, além de ouvir as fofocas, intrigas, conflitos e boatos que sempre ocorrem em lugares com muitas pessoas. Li uma frase interessante “As opiniões e os problemas de outras pessoas podem ser contagiosos” Epicteto. A partir do momento que deixei de ouvi-los, os meus próprios problemas diminuíram drasticamente.

Parar de acompanhar notícias – Principalmente as tendenciosas e sensacionalistas, já falei aqui algumas vezes sobre a limpeza de perfis no instagram, foi uma maravilha na minha vida. Não vou e não devo me preocupar com aquilo que não posso controlar e não exercer influência, seguir na direção oposta é o comportamento mais inútil e destruidor que existe.  

Ter momentos sozinha para refletir, contemplar o belo, cuidar e preservar relações importantes, ter um certo afastamento de outras relações, aprender coisas novas, implementar uma certa disciplina. São ferramentas secundárias e mais especificamente minhas que também fazem parte.

Então é isso! Acredito que o autocontrole e autoconhecimento são fundamentais para conseguir identificar e implementar mudanças que façam diferença na vida. É nessa direção que estou seguindo e encontrando benefícios imensuráveis, só assim consigo enfrentar a vida real como de fato ela é, e não como gostaria que fosse. É assim que estou sobrevivendo no isolamento social.