O ano era 2002 e eu tinha apenas
12 anos, surgiu uma onda de celulares na minha turma do colégio, vários colegas
de classe ganharam o primeiro celular dos pais e o passatempo favorito
tornou-se explorar aquele aparelho na hora do intervalo. Lembro perfeitamente
que os mais comuns eram o Nokia 3310 e Siemens A50, o Nokia ao ficar em pé fazia
uma espécie de “dança” no ritmo da vibração, todo mundo ficava encantado com
aquela tecnologia.
Eu era apenas uma espectadora que
observava tudo de longe, uma vez que não tinha ganhado um celular dos meus pais,
a sensação era de ser excluída mesmo, ficava triste, cabisbaixa e sentia até uma pitada de inveja. Eu tinha plena consciência que meu pai
jamais compraria um celular para mim, primeiro pela condição financeira e
segundo porque ele achava extremamente inútil, principalmente para uma
adolescente.
Um certo dia estava na biblioteca
da escola folheando as revistas e vi o anúncio de lançamento do Nokia 3520, que
estava previsto para 2003. Eu lembro de ter ficado completamente apaixonada por
ele, principalmente por ter a tela colorida, o que era bem difícil na época.
Com esse desejo ambicioso, aumentava ainda mais as chances de não conseguir alcançá-lo,
mas eu coloquei na cabeça que queria e esperaria o tempo que fosse preciso para
comprar. Na época eu ganhava uma pequena mesada da minha avó paterna, era em
torno de 15 a 30 reais por mês que utilizava para “lazer”, meu pai sempre focou
em nos fornecer o básico, qualquer mimo além do básico era muito difícil, então
comprar doces, pipocas, ir ao cinema ou algo mais específico, utilizava a minha
mesada.
Foi então que decidi me organizar
financeiramente e guardar algum dinheiro para conseguir comprar o celular dos meus
sonhos. Eu comecei a ajudar o meu pai no trabalho dele de pintura e ganhava R$
5 reais por semana, esperei um bom tempo nessa batalha em prol de conquistar o
objetivo. Até o dia que pedi autorização ao meu pai, disse que iria pagar tudo
sozinha, chamei a minha mãe para passar o cartão e seguimos para o shopping
tambiá. Um dos dias mais felizes da minha vida, principalmente porque valorizei
todo o esforço e sacrifício que tive que fazer para comprar. Tirei essa lição
com apenas 13 anos.
Hoje eu percebo o quanto foi
didático passar por essa experiência, desde muito cedo aprendi a dar
importância ao valor das coisas, o quanto precisamos batalhar, trabalhar e
fazer sacrifícios para alcançar um sonho, e principalmente sempre agradecer. E dessa forma venho alcançando os sonhos que surgiram após tal episódio, a moto, o apartamento e etc. Tudo com a força do trabalho!



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