domingo, 13 de dezembro de 2020

Minha primeira conquista

 


O ano era 2002 e eu tinha apenas 12 anos, surgiu uma onda de celulares na minha turma do colégio, vários colegas de classe ganharam o primeiro celular dos pais e o passatempo favorito tornou-se explorar aquele aparelho na hora do intervalo. Lembro perfeitamente que os mais comuns eram o Nokia 3310 e Siemens A50, o Nokia ao ficar em pé fazia uma espécie de “dança” no ritmo da vibração, todo mundo ficava encantado com aquela tecnologia.




Eu era apenas uma espectadora que observava tudo de longe, uma vez que não tinha ganhado um celular dos meus pais, a sensação era de ser excluída mesmo, ficava triste, cabisbaixa e sentia até uma pitada de inveja. Eu tinha plena consciência que meu pai jamais compraria um celular para mim, primeiro pela condição financeira e segundo porque ele achava extremamente inútil, principalmente para uma adolescente.

Um certo dia estava na biblioteca da escola folheando as revistas e vi o anúncio de lançamento do Nokia 3520, que estava previsto para 2003. Eu lembro de ter ficado completamente apaixonada por ele, principalmente por ter a tela colorida, o que era bem difícil na época. Com esse desejo ambicioso, aumentava ainda mais as chances de não conseguir alcançá-lo, mas eu coloquei na cabeça que queria e esperaria o tempo que fosse preciso para comprar. Na época eu ganhava uma pequena mesada da minha avó paterna, era em torno de 15 a 30 reais por mês que utilizava para “lazer”, meu pai sempre focou em nos fornecer o básico, qualquer mimo além do básico era muito difícil, então comprar doces, pipocas, ir ao cinema ou algo mais específico, utilizava a minha mesada.

Foi então que decidi me organizar financeiramente e guardar algum dinheiro para conseguir comprar o celular dos meus sonhos. Eu comecei a ajudar o meu pai no trabalho dele de pintura e ganhava R$ 5 reais por semana, esperei um bom tempo nessa batalha em prol de conquistar o objetivo. Até o dia que pedi autorização ao meu pai, disse que iria pagar tudo sozinha, chamei a minha mãe para passar o cartão e seguimos para o shopping tambiá. Um dos dias mais felizes da minha vida, principalmente porque valorizei todo o esforço e sacrifício que tive que fazer para comprar. Tirei essa lição com apenas 13 anos.

Hoje eu percebo o quanto foi didático passar por essa experiência, desde muito cedo aprendi a dar importância ao valor das coisas, o quanto precisamos batalhar, trabalhar e fazer sacrifícios para alcançar um sonho, e principalmente sempre agradecer. E dessa forma venho alcançando os sonhos que surgiram após tal episódio, a moto, o apartamento e etc. Tudo com a força do trabalho!


Nenhum comentário:

Postar um comentário