sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Livro - Ego Transformado, Timothy Keller

 


Vou tentar compartilhar alguns ensinamentos dos livros que leio, o primeiro será Ego Transformado de Timothy Keller. Livreto bem pequeno, apenas 45 páginas, porém com uma força que consegue fazer estrago de tanto impacto. Principalmente por contrariar todo o conceito implementado pelo senso comum.

Confesso que sempre vi com olhar de desconfiança esse discurso de que você tem que se amar primeiro, ter autoestima elevada, se colocar em primeiro lugar sempre para não ser engolida e se sujeitar a qualquer coisa. Algo em mim acreditava que não fazia muito sentido, que essa ênfase estava mais alinhada com o egoísmo, do que com a proteção e valorização em si. Eu ouvia, fingia concordar e seguia achando estranho. Isso significa que sempre soube a dosagem ideal do meu ego? Não mesmo! Da mesma forma que existe o ego superinflado, também temos o ego desinflado e com complexo de inferioridade, que é perigoso. Descobri que o caminho ideal é ter um ego abastecido com algo sólido, é justamente essa a proposta apresentada no livro. Vou fazer um resumo utilizando as próprias palavras do livro.

"Orgulho espiritual é a ilusão de que temos competência, sem Deus, para conduzir a vida, desenvolver nosso próprio senso de valor pessoal e descobrir um propósito grande o bastante para dar sentido à vida. Se tentarmos colocar qualquer coisa no lugar reservado originalmente a Deus, vai sobrar muito espaço. Tudo o que colocamos ficará chacoalhando lá dentro. Não nos esqueçamos, então, de que o ego humano é vazio."

No primeiro capítulo já somos confrontados com a ideia da autoestima elevada. Até o século 20, as culturas tradicionais acreditavam que a autoestima elevada demais era a causa de todos os males. A culpa era de hubris (soberba). Hoje existe um consenso totalmente oposto, de que as pessoas agem mal por falta de autoestima, mas nada comprova que seja verdade. No entanto, essa teoria é bastante atraente, uma vez que não será necessário fazer juízo moral sobre o ato, basta animar a pessoa e ajudá-la a se desenvolver. Em 1Corintios o apóstolo Paulo apresenta uma abordagem completamente diferente.

1.       - A condição natural do ego: orgulho superinflado, inchado, inflamado e expandido além do tamanho normal, essa é a condição natural do ego. Ele é vazio, dolorido, atarefado e frágil.

Vazio: Se tentarmos colocar qualquer coisa no lugar reservado a Deus, vai sobrar muito espaço, tudo o que colocarmos vai ficar chacoalhando. Não temos competência, sem Deus, para conduzir a vida.

Dolorido: O ego vive chamando atenção para si todos os dias, ele não ficaria dolorido se não tivesse algo de errado com ele. O ego nunca se sente feliz.

Atarefado: Faz de tudo para ser notado. É incansável em duas tarefas: a comparação e vanglória. É o prazer de ter mais que os outros, de ser mais que os outros e desenvolver um currículo que aumente a autoestima, uma vez que está desesperado por compensar o sentimento de impotência e vazio.

Frágil: Qualquer coisa superinflada corre perigo de estourar.

2.       - Visão transformada do eu: não me importo com o que pensam de mim, nem mesmo o que eu penso. Minha consciência está limpa, mas isso não me torna inocente. Tentar alavancar a autoestima seguindo nossos critérios ou de terceiro é uma armadilha. Humildade é pensar menos em mim. Agora surge o conceito de autoesquecimento. Falam que a única solução para a baixa autoestima é o orgulho, mas essa não é a solução.    

        "A pessoa verdadeiramente humilde não é aquela que se odeia ou se ama, e sim a que tem a humildade do evangelho. É uma pessoa que se esquece de si mesma e cujo ego é igual aos dedos dos pés. Eles simplesmente exercem sua função. Não implora por atenção. Os dedos simplesmente trabalham; o ego simplesmente trabalha. Nem o ego, nem os dedos chamam atenção para si."

A humildade significa ser um ego satisfeito, e não inflado. A pessoa não se odeia e nem se ama, ela se esquece e não chama atenção para si. Não se sente ferida e nem mal ao ser criticada, a pessoa que fica arrasada ao ser criticada valoriza demais a opinião alheia. Tanto a baixa autoestima quanto o orgulho são transtornos terríveis para nosso futuro. É o senhor quem nos julga, a opinião de Deus é a única que interessa. No cristianismo, assim que cremos, Deus nos imputa as ações perfeitas de Cristo e nos adota.

Sem dúvida é um livro que deve ser visitado várias vezes, ele é curto, profundo e objetivo, seus ensinamentos são indispensáveis nos dias de hoje, principalmente quando temos uma chuva de orientações distorcidas daquilo que está alinhado com o que Deus espera de nós. Vale a leitura.


domingo, 13 de dezembro de 2020

Minha primeira conquista

 


O ano era 2002 e eu tinha apenas 12 anos, surgiu uma onda de celulares na minha turma do colégio, vários colegas de classe ganharam o primeiro celular dos pais e o passatempo favorito tornou-se explorar aquele aparelho na hora do intervalo. Lembro perfeitamente que os mais comuns eram o Nokia 3310 e Siemens A50, o Nokia ao ficar em pé fazia uma espécie de “dança” no ritmo da vibração, todo mundo ficava encantado com aquela tecnologia.




Eu era apenas uma espectadora que observava tudo de longe, uma vez que não tinha ganhado um celular dos meus pais, a sensação era de ser excluída mesmo, ficava triste, cabisbaixa e sentia até uma pitada de inveja. Eu tinha plena consciência que meu pai jamais compraria um celular para mim, primeiro pela condição financeira e segundo porque ele achava extremamente inútil, principalmente para uma adolescente.

Um certo dia estava na biblioteca da escola folheando as revistas e vi o anúncio de lançamento do Nokia 3520, que estava previsto para 2003. Eu lembro de ter ficado completamente apaixonada por ele, principalmente por ter a tela colorida, o que era bem difícil na época. Com esse desejo ambicioso, aumentava ainda mais as chances de não conseguir alcançá-lo, mas eu coloquei na cabeça que queria e esperaria o tempo que fosse preciso para comprar. Na época eu ganhava uma pequena mesada da minha avó paterna, era em torno de 15 a 30 reais por mês que utilizava para “lazer”, meu pai sempre focou em nos fornecer o básico, qualquer mimo além do básico era muito difícil, então comprar doces, pipocas, ir ao cinema ou algo mais específico, utilizava a minha mesada.

Foi então que decidi me organizar financeiramente e guardar algum dinheiro para conseguir comprar o celular dos meus sonhos. Eu comecei a ajudar o meu pai no trabalho dele de pintura e ganhava R$ 5 reais por semana, esperei um bom tempo nessa batalha em prol de conquistar o objetivo. Até o dia que pedi autorização ao meu pai, disse que iria pagar tudo sozinha, chamei a minha mãe para passar o cartão e seguimos para o shopping tambiá. Um dos dias mais felizes da minha vida, principalmente porque valorizei todo o esforço e sacrifício que tive que fazer para comprar. Tirei essa lição com apenas 13 anos.

Hoje eu percebo o quanto foi didático passar por essa experiência, desde muito cedo aprendi a dar importância ao valor das coisas, o quanto precisamos batalhar, trabalhar e fazer sacrifícios para alcançar um sonho, e principalmente sempre agradecer. E dessa forma venho alcançando os sonhos que surgiram após tal episódio, a moto, o apartamento e etc. Tudo com a força do trabalho!


sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Como estou sobrevivendo na pandemia

 


Faz tempo que não apareço aqui para escrever o tradicional “relato da quarentena”, deve ser por não ter ocorrido grandes oscilações na minha rotina, ou talvez seja por pura preguiça mesmo. Mas preciso falar um pouco de algumas mudanças que fiz, e acredito que sejam parte do meu segredo de sobrevivência na pandemia. Primeiro é importante destacar que não existe fórmula mágica ou receita de bolo, principalmente quando o assunto é saúde mental, cada um reage diferente de acordo com as mais variadas atividades, algumas servem para mim e outras não, a mesma regra é para todos. Esse é um dos objetivos do autoconhecimento, saber como você funciona e quais ferramentas são essenciais e úteis para seu benefício. É por isso que tenho raiva quando alguém diz “isso é besteira”, se faz bem para uma pessoa colocar os pés no solo todos os dias, por mais que não faça diferença nenhuma em mim, tenho que respeitar.  

Deixando de papo e vamos ao que interessa.

Melhorar a alimentação – No início da quarentena eu comia muita besteira, industrializados, biscoitos, achocolatados, doritos, refrigerante, chocolate e tudo mais. Foi então que decidi abandonar e focar em frutas, oleaginosas e legumes, já que não sou muito fã das verduras, introduzi alguns sucos também com frutas e verduras.

Exercício físico – Por coincidência o Guerrilha Way lançou o programa de emagrecimento -50T antes mesmo da pandemia, então foi uma mão na roda. No início do ano estava planejando entrar na academia, infelizmente não deu certo, mas o programa chegou na hora certa. Faço aulas de segunda a sexta no zoom e no sábado faço uma corrida entre 4km a 5km.

Dormir – Esse trio é o mais recomendado por todos os médicos, inclusive para prevenir depressão e ansiedade. Posso dizer por experiência própria, faz muita diferença. Um dos benefícios de permanecer no home office é que não preciso acordar muito cedo, então é possível dormir tranquilamente 7h por noite, algo que era muito difícil nos dias normais.

Terapia – Eu já fazia terapia antes mesmo da pandemia, então posso dizer que o meu terreno estava relativamente sendo preparado para enfrentar situações como essas. É infinitamente mais fácil conseguir superar alguns fatos quando temos um acompanhamento psicológico profissional, alguém que nos ouça e auxilie no melhor direcionamento sobre aquilo que ocorre conosco. Se hoje me sinto muito bem, devo muito ao trabalho que desenvolvi juntamente com minha psicóloga. Terapia é vida!  

Home office – No início eu acreditava que seria muito doloroso trabalhar em casa, deixar de ter contato com as pessoas da minha rotina, não encontrar diariamente pessoas importantes para mim. Até um certo tempo foi complicado mesmo, depois percebi que o benefício era maior. Quem trabalha em um escritório de contabilidade sabe como o ambiente pode ser muito estressante, e levando em consideração que a maioria das pessoas “não giram bem da cabeça” (rsrs), pode ser bem pior. Em um exercício de observação percebi que, grande parte do meu estresse diário não era resultado de problemas reais relacionado ao meu trabalho, e sim ruídos, reclamações, queixas e problemas de outras pessoas. Ou seja, eu era uma esponja dos outros, além de ouvir as fofocas, intrigas, conflitos e boatos que sempre ocorrem em lugares com muitas pessoas. Li uma frase interessante “As opiniões e os problemas de outras pessoas podem ser contagiosos” Epicteto. A partir do momento que deixei de ouvi-los, os meus próprios problemas diminuíram drasticamente.

Parar de acompanhar notícias – Principalmente as tendenciosas e sensacionalistas, já falei aqui algumas vezes sobre a limpeza de perfis no instagram, foi uma maravilha na minha vida. Não vou e não devo me preocupar com aquilo que não posso controlar e não exercer influência, seguir na direção oposta é o comportamento mais inútil e destruidor que existe.  

Ter momentos sozinha para refletir, contemplar o belo, cuidar e preservar relações importantes, ter um certo afastamento de outras relações, aprender coisas novas, implementar uma certa disciplina. São ferramentas secundárias e mais especificamente minhas que também fazem parte.

Então é isso! Acredito que o autocontrole e autoconhecimento são fundamentais para conseguir identificar e implementar mudanças que façam diferença na vida. É nessa direção que estou seguindo e encontrando benefícios imensuráveis, só assim consigo enfrentar a vida real como de fato ela é, e não como gostaria que fosse. É assim que estou sobrevivendo no isolamento social.


quinta-feira, 12 de novembro de 2020

O incomodado que não sabe ficar quieto

 



Não tem como escapar, tudo o que você faz ou deixa de fazer, inevitavelmente vai incomodar alguém em algum momento, principalmente no espaço das redes sociais. A lista é grande, mas vamos citar alguns exemplos: postar o treino, foto do corpo, da comida, da festa, dos animais, do seu time, selfie fazendo bico, frase ou versículo bíblico, vídeos do tik tok, declarações de amor, foto da viagem, dos filhos, divulgação do trabalho, produção de conteúdo, propagar suas crenças, dividir uma reflexão. Com certeza algo nessa lista já te incomodou, e é normal.

Só não é normal alguém que não se contenta apenas em ficar desconfortável, olhar, ignorar e seguir a vida. Existe uma necessidade absurda em tentar atingir de alguma forma, seja direcionando a tal crítica construtiva, questionando suas atitudes, com aquele comentário em tom irônico ou de piada, até mesmo reagindo de forma combativa, numa vaidade para querer refutar e inflar o ego. Confesso que fiz parte isso, e com um exercício de observação pude perceber que o meu incômodo revelava um sintoma. Jogava holofote ao fato de que a pessoa em questão tinha aquilo que não tenho, a coragem para fazer o que quiser, sem estar submisso ao olhar crítico do outro.

O pior é que esse olhar do outro exerce um poder tão forte sobre nossos atos, que em algum momento nos paralisa. E seguimos assim, lutando para não moldar nossas ações ao que o outro espera de nós.

De uma coisa eu sei, sua rede social é um espaço exclusivamente seu, não é público, casa da mãe Joana e muito menos uma democracia. Se qualquer pessoa agir com uma conduta que você julga como desconfortável, seu dever é reagir e comunicar, se assim ainda não for o suficiente, excluir e bloquear. Da mesma forma que ganhou o direito de ser aceito e fazer parte do seu espaço, também pode perder.


sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Jornada do autoconhecimento e o Estoicismo




Enquanto as pessoas em geral estão com os nervos à flor da pele essa semana, pelos mais variados temas que não possuem o menor conhecimento, que vão desde o caso de Mari Ferrer a eleições dos Estados Unidos. Peço perdão, o meu tom de ironia está muito acentuado no momento, não faço publicações nas redes sociais para não soar como provocação, mas aqui sinto um pouco mais de liberdade. Por curiosidade entrei no twitter agora e percebi que está ocorrendo uma guerra entre as hastags #FamiliasContraFelipeNeto e #FamiliasComFelipeNeto. Pois é meu povo, essas são as pessoas que estão tentando salvar o mundo subindo hastags.

Voltando, decidi mergulhar em um material gratuito que o professor Pedro Calabrez disponibilizou, faz parte de uma jornada do autoconhecimento. Eu sei que esse assunto está bastante banalizado e existem várias pessoas produzindo, em grande parte muito superficial, ou as velhas fórmulas dos coaches. Porém, o professor Pedro é doutor em Neurociência e estuda o cérebro há 13 anos, ou seja, seu conteúdo é profundamente baseado na ciência e filosofia.


Também assisti uma aula do Ítalo Marsili sobre depressão. O interessante é que ambos falam exatamente as mesmas coisas para quem quer alcançar uma saúde mental e emocional saudável. O pacote inclui qualidade do sono, melhorar a alimentação, fazer atividade física, cultivar relacionamentos saudáveis, fazer uma terapia se necessário, controlar o neuroticismo e abandonar o comportamento negativo, ranzinzo e reclamão, além de não despejar tanta preocupação com aquilo que não se pode controlar. Nesse momento o professor Pedro cita uma corrente da filosofia chamada Estoicismo, no qual confesso que simpatizei bastante. A filosofia estoica basicamente defende que devemos manter a mente calma e racional independente do que aconteça, fundamentada em uma ética forte, virtudes e autocontrole. Utilizando como virtudes essenciais a justiça, coragem, sabedoria e disciplina.

“O Estoicismo é uma escola de filosofia prática que ensina como viver uma boa vida ao focar naquilo que é possível controlar. As ideias Estoicas ajudam a reduzir a ansiedade, o estresse e a lidar com a insegurança e outros sentimentos negativos. Seus praticantes prezam por manter a mente calma e racional independente do que aconteça." Mateus R. Carvalho

Retirei esse trecho de um site chamado estoicismo prático, olhando por cima percebi que tem muito conteúdo bom, vou tentar me aprofundar mais no assunto, quem sabe eu volte com mais aprendizados.

#Sextou


sábado, 31 de outubro de 2020

Reforma de conceitos e os vínculos pessoais

 


Se tem uma palavra que me descreve esse ano, posso dizer que é desconstrução. Alguns conceitos e comportamentos que até um dia desses estavam redondinhos na minha cabeça, precisaram ser revistos e ajustados. Ainda carrego muitos medos, porém, os dois maiores deles estou me forçando a enfrentar, o medo do julgamento e o medo de perder, cheguei à conclusão de que o medo de perder fez com que eu me perdesse de mim mesma.

Na verdade, ambos os medos foram os guias que conduziram boa parte dos meus comportamentos, me vi na obrigação de me moldar com as características de cada grupo no qual estava inserida, isso abrangia inclusive deixar os outros acreditarem que compactuo com as mesmas convicções. Onde já se viu? É um verdadeiro ato de covardia. Eu sempre achei que era um baita pé no saco ficar empurrando goela abaixo aquilo que acredito, mas também se omitir de tal forma apenas para evitar o enfrentamento e conflitos, já é um exagero. Tudo em prol de um bem maior, preservar o vínculo com uma pessoa boa, priorizar uma relação que em alguma medida te fez bem. No entanto, o preço acaba por ser alto e é preciso avaliar se realmente vale a pena.

A decisão foi recategorizar a forma como lido com cada grupo. Aquelas pessoas que tenho total liberdade para ser quem eu sou e expor tudo aquilo que acredito, que compartilham das mesmas visões, interesses da vida adulta e estão interessadas no aprofundamento genuíno do vínculo, onde existe a confiança, abertura e manutenção da relação, essas terão prioridade na minha dedicação, são os que me fazem bem, trazem substância para a vida e quero manter por perto. Os que não possuo vínculo mais íntimo e não tenho pretensão de ter, não precisarei fazer esforço nenhum e nem tentarei expor minhas questões mais pessoais. E aqueles onde o tempo passou e a vida foi naturalmente desalinhando o ritmo da conexão, percebe-se que a união era baseada naquilo que não existe mais, em um “eu” que ficou no passado. A compatibilidade ficou pelo caminho e não houve esforço suficiente para reinventar e encontrar pontos de afinidade na vida adulta, que podem justamente ser diferentes ao que tinha antes, a relação torna-se um eterno rememorar coisas do passado que não fazem mais sentido. Esses ficarão registrados na memória, e nossos encontros serão apenas para resgatar algo que já foi bom um dia, porém, que não permaneceu com a profundidade que um dia existiu.

Por pura coincidência, no exato momento que escrevo esse texto, o Padre Fábio faz uma postagem resumindo tudo o que falei. “Opte pela autenticidade. Ela fará a seleção natural dos que deverão seguir com você. Recuse o fardo de querer agradar a todos. É perda de tempo. Buscar a unanimidade é escravidão. Bom mesmo é estar com os que não lhe imaginam, com os que quiseram conviver com a sua verdade.”


domingo, 18 de outubro de 2020

Antes de querer salvar o mundo, organize sua vida.

 



Hoje me peguei relendo a regra 6 do livro do Jordan Peterson – 12 regras para a vida. “Deixe sua casa em perfeita ordem antes de criticar o mundo”. Aliás, recomendo fortemente a leitura desse livro, podemos extrair incontáveis ensinamentos.

Quem me conhece sabe que tenho um certo aborrecimento por pessoas que respiram politicagem 24h por dia, o quanto é chata essa briga de ideologia e farpas trocadas. Acho curioso quando vejo pessoas querendo carregar as dores do mundo nas costas, gastam boa parte do dia em debates nas redes sociais, assistindo vídeos, consumindo e sofrendo por algo que está muito distante do seu poder de interferência. Imagina se vou sofrer ao saber que uma espécie de baleia está ameaçada de extinção na Antártida. Se vou ficar enfurecida toda vez que o presidente abrir a boca e falar asneira, ou o influencer teve um comportamento repugnante. Assumindo essa postura passo assim a internalizar grandes doses de ódio, indignação e revolta. Bom, não faço ideia de quais sejam as reais pretensões, talvez ser um herói, justiceiro ou mártir.

Mas deixa eu te perguntar, o que tem feito pelas pessoas que estão a seu alcance? Está amando, se dedicando e tratando seu conjugue e filhos com respeito? Já conseguiu dar uma vida digna aos seus filhos? Consegue estabelecer a paz no seu lar? Dedicar tempo, cuidado e afeto a quem você realmente ama? Consegue ser o suporte quando seus amigos precisam? Está se dedicando a sua carreira? Busca fortalecer seu caráter, gastar tempo se aperfeiçoando e tentando ser uma pessoa melhor? Seus hábitos destroem sua saúde? Conseguiu arrumar a vida? As vezes tenho a impressão de que é mais “fácil” ir em busca do inalcançável, do que fazer algo que está dentro de suas possibilidades.

As consequências são inúmeras, estagnação na vida, uma onda de amargura, estresse, raiva, falta de esperança, distanciamento de pessoas queridas, ansiedade, ressentimento, doenças, falta de sentido, revolta com a vida etc. Como forma de consolo, talvez cresça a sensação fantasiosa de dever cumprido ao acreditar que esteja “lutando para que o Brasil não vire a Venezuela”, “lutando contra a esquerda maldita que destrói nossas famílias”, “lutando contra o patriarcado e os conservadores”.

Eu até entendo, mas não tem como tentar fugir, mais cedo ou mais tarde você vai perceber que acompanhar política de forma doentia é apenas uma fuga, e que aos poucos ela te impede de dedicar tempo na construção da própria vida. Você se afasta daquilo que a vida pede que você seja. Talvez com esse redirecionamento de prioridades, você perceba que se todos fizerem o mesmo, o mundo pode parar de ser um lugar pior.

Faça lentamente essa mudança, você vai perceber que sua vida vai começar a ficar mais organizada.


quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Los Hermanos - O velho e o moço

 



Deixo tudo assim
Não me importo em ver a idade em mim
Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto

Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer, que eu preciso sim
De todo o cuidado

E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem então agora eu seria?

Ah, tanto faz
Que o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar
Mas eu, quem será?

Deixo tudo assim
Não me acanho em ver
Vaidade em mim
Eu digo o que condiz
Eu gosto é do estrago

Sei do escândalo
E eles têm razão
Quando vêm dizer
Que eu não sei medir
Nem tempo e nem medo

E se eu for
O primeiro a prever
E poder desistir
Do que for dar errado?

Ah
Ora, se não sou eu
Quem mais vai decidir
O que é bom pra mim?
Dispenso a previsão

Ah, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
Aceito a condição

Vou levando assim
Que o acaso é amigo
Do meu coração
Quando fala comigo
Quando eu sei ouvir


Eu sou muito encantada por essa música, já ouvi centenas de vezes. É uma típica reflexão sobre a vida, e refletir sobre a vida tem total relação comigo. A interpretação que tenho é que se trata de uma conversa entre um moço e um velho, porém, ambos são a mesma pessoa. A sabedoria de um velho que se encontra cheio de questionamentos quanto as suas escolhas feitas ao longo da vida. O que mais brilha em meus olhos é quando ele questiona como seria se ele tivesse feito escolhas diferentes “quem então agora eu seria?”.  Logo após temos uma constatação de conformidade com a vida que escolheu “se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, aceito a condição”. Observamos também um ponto forte de autorresponsabilidade, temos a obrigação de assumir as rédeas da própria vida e carregar as consequências dos nossos atos “se não sou eu quem mais vai decidir o que é bom pra mim? Dispenso a previsão”.

É justamente a meditação que faço sobre a minha vida, não tenho nenhum fetiche de voltar no tempo e fazer escolhas diferentes, estou satisfeita com a vida que tenho porque ela é fruto das minhas decisões e assumo total responsabilidade sobre elas. Tudo que aconteceu foi necessário para formar quem eu sou, e aceito essa condição, até porque o tempo não volta, e ficar nessa ilusão de supor como seria é um fardo bem desgastante para carregar.


domingo, 13 de setembro de 2020

Documentário: O Dilema das Redes

 


Hoje assisti o documentário na Netflix chamado O Dilema das Redes. Confesso que fiquei bastante impactada com tudo o que vi. Indiretamente nós sabemos que todo o sistema de programação das redes sociais é voltado para te prender na maior quantidade de tempo possível. A máquina da internet realmente te utiliza como um produto, essa certeza é reforçada de forma veementemente ao longo de 1h e 30 minutos.

Foram convidados vários funcionários, ex-diretores, criadores e desenvolvedores das redes sociais, é assustador ouvir cada relato de como tudo é montado e qual é real pretensão. É engraçado saber que eles não permitem de forma alguma que seus filhos tenham acesso aos celulares e conteúdos que os próprios pais criaram, infelizmente ninguém melhor do que eles para saberem os danos irrecuperáveis que essa exposição causa. É terrível saber à proporção que alcança, as consequências graves como o aumento da depressão, ansiedade e suicídio. Jovens que tiveram acesso a celulares com internet antes de chegarem ao ensino médio, terão implicações imensuráveis na vida. 

Existem apenas duas indústrias que chamam seus clientes de usuários: a de drogas e a de software.” Edward Tufte

Foi montada uma narrativa de como funciona na prática os mecanismos de programação, um jovem lidando com a abstinência da tela do celular, por trás o desespero “da rede” ao constatar a sua ausência, e como são utilizadas as ferramentas para atraí-lo novamente. É incrível como são utilizados conceitos até da própria psicologia e neurociência como ferramentas para alienação. A sensação é que realmente somos uma espécie de robô programados, e agimos fora do nosso domínio próprio. Nossa vontade, gostos, ideias, opiniões, consumo, conceitos, são todos implantados de forma imperceptível. A inteligência artificial já é uma realidade que domina o mundo, embora muitos ainda neguem.

Como os algoritmos monitoram e armazenam todos os movimentos que fazemos na internet, curtidas, pesquisas, sites que visitamos, quanto tempo visualizamos uma foto, qual tipo de foto, qual pessoa nos relacionamos. Tudo é codificado e programado para que seja entregue na nossa cara cada vez mais produtos e temas que de nosso interesse, na pretensão de nos manter fixados na tela, vender produtos e assim movimentar a máquina que gera milhões em publicidade para os próprios sites.

“Queridos usuários de redes sociais, se o serviço é de graça, então você é o produto.”

Fugindo um pouco da parte publicitária, temos também o lado ideológico, implantação de teorias absurdas, pessoas são persuadidas a acreditarem em conceitos impossíveis de fazer sentido em um mundo real, como por exemplo que a terra é plana. Um espaço fértil para manipulação da opinião pública e a polarização política, e cada vez mais a internet joga conteúdos diretamente relacionados ao seu interesse, levando a consumir apenas o que acredita, tornando-o uma verdade absoluta. A construção do pensamento crítico só é saudável quando temos acesso ao contraditório.

Boatos, teorias da conspiração, fake news, amplificação de fofocas, ao ponto de não sabemos mais o que é verdade ou mentira. A covid-19 é o maior exemplo disso, já ouvimos os mais variados discursos, ficamos completamente desorientados, induzindo pessoas a tomarem atitudes impensáveis.

“Criamos um sistema inclinado às informações falsas. Não intencionalmente, mas porque as informações falsas levam mais lucro para as empresas do que a verdade, que é chata. É um modelo de negócio que lucra com a desinformação.”

Enfim, eu tenho tanta pauta para falar sobre esse assunto, defendo que o debate seja amplamente discutido, pretendo sim abordar mais vertentes que desencadeiam o tema, a princípio vou finalizar aqui. Assistir o documentário realmente foi bastante impactante para mim.


segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Feriadão da independência: a covid-19 tirou uma folga

 


Experimentei essa sensação ao observar os inúmeros stories no meu instagram e as imagens nas mídias, por algum motivo o coronavírus deu um desconto e permitiu que a população, que não aguentava mais ficar trancafiada, curtisse um feriadão na praia. O que observamos foram vários registros como esse em diversos lugares do país.

As autoridades flexibilizaram as restrições do isolamento social, praticamente todos os estabelecimentos foram autorizados a funcionar, mas não com sua capacidade máxima, porém, como já conhecemos bem nossa população, a falta do bom senso sempre esteve presente. Replicando a frase que muito ouvi na adolescência: querer não é poder. As pessoas que gritavam desesperadas "fiquem em casa" quando a Paraíba registrava 100 casos, são as primeiras a se jogarem em aglomerações quando atingimos 100 mil infectados.

Confesso que sou privilegiada. Cumprir o isolamento em casa, por um longo período, não causa prejuízos em minha saúde mental. Gosto da solitude, calmaria, silêncio e mergulhar nos próprios pensamentos. Ou seja, fez até bem. Não sou fã de praia durante o dia, só vou quando sou convidada, e por causa das companhias. Mesmo assim não faço tanta questão de entrar no mar. O custo x benefício de ficar toda preguenta com sal e areia, os olhos ardendo e o cabelo duro, não é atrativo para mim. Repito, vou quantas vezes for preciso, principalmente em viagem de férias ou com amigos, mas não é uma escolha que faço em um dia comum do meu final de semana. Acordei em um sábado e bateu aquela vontade de ir à praia, não mesmo.

Mas vamos lá, da mesma forma que detesto quando os outros querem que eu seja igual a eles, não dá para pedir que sejam iguais a mim. É óbvio que meu perfil se encaixa tranquilamente em um isolamento prolongado. Não sou afetada com consequências mais graves por não sair de casa e visitar lugares. Mas nem todos conseguem tal façanha, e está tudo bem. Já falei aqui, que chato seria o mundo onde todos fossem iguais.

Não consigo condenar quem opta por sair de casa. Porém, infelizmente a pandemia ainda não acabou, essa suave sensação de que fomos "libertos" pode ser uma cilada. Ninguém tem obrigação de ser um prisioneiro, mas temos o dever de sermos cuidadoso até mesmo em nosso momento de descanso. Eu defendo que cada um tenha o seu tempo de lazer tomando as devidas precauções, não escolher lugar e horário em que sabemos que existe possibilidade de lotação. É o mínimo que podemos fazer para que não sejamos atingidos por outro pico. Que sejamos responsáveis.


sábado, 29 de agosto de 2020

Meus 30 anos


 

Ops, trintei! E com todos os clichês que tenho direito. Cheguei na fase em que encontramos um cabelo branco perambulando e tentamos arrancá-lo a qualquer custo. Rsrs É a partir de agora que temos vergonha de revelar a idade? Não sei, tenho muito a aprender. Se minha natureza já é propensa para a reflexão, certamente foi potencializada nessa fase, impossível fugir do exercício de examinar-se, rever conceitos, quebrar barreiras, entender como somos e aonde queremos chegar. É inevitável escapar do simbolismo que tal idade representa na nossa biografia. Falo pouco, mas faço textão simmm.

Fiz planos de como queria que fosse o meu 2020, até que chegou o isolamento e tudo foi por água abaixo. O primeiro pensamento foi: a vida está acontecendo. Sempre erramos ao pensar que estamos no controle de tudo, dar o braço a torcer e movimentar-se a partir da atual circunstância é uma brilhante decisão. Só depois percebi o quão superficiais eram meus planos, em meio ao caos consegui fazer movimentos em direção ao que realmente é importante para mim, sinto uma alegria que não consigo mensurar.

Percebo cada vez mais que amadurecer é reconhecer as suas fraquezas, ao invés de fingir-se de forte. Aos 20 somos destemidos e queremos abocanhar o mundo. Aos 30 eu só penso em querer estabilidade emocional e espiritual, sempre tentando alcançar a profundidade do ser e sem colocar peso no que o outro pensa/diz sobre mim.

Sou grata pelas pessoas que fazem ou fizeram parte da minha vida, ninguém chega aonde está sozinho, devo muito aos que me ajudaram a crescer, aprender, amadurecer, ser quem eu sou e foram o abrigo quando precisei. O cuidado e o carinho de alguns realmente me surpreende.

Por último, não menos importante. Aos 20 meu peito vazio foi alcançado por um amor obstinado e perfeito, amor esse que transformou a forma como enxergo o mundo, a mim mesma e deu sentido para minha existência, nunca mais quis arrancá-lo de mim. Aos 30 reafirmo que nada poderá me separar do amor de Deus, ele é tudo o que tenho e tudo o que sou, seu amor me fez chegar até aqui e é o motivo que me faz continuar.

“Se eu reclamar da vida, sou uma ingrata.” (referência para poucos)

domingo, 16 de agosto de 2020

Viver preso na infância

 




Não gosto de olhar para o passado com um ar de muito saudosismo, tampouco de arrependimento. Acredito que podem ser movimentos perigosos, tendo em vista que não podemos modificá-lo e nem ficarmos presos ao que foi prazeroso. Sabe quando alguém fica o tempo inteiro celebrando a infância, como se fosse o único momento da sua história que realmente valeu a pena ser vivido? Sinto um pouco de desconforto quando vejo pessoas fazendo esse endeusamento exagerado da infância – era feliz e não sabia – tente imaginar uma vida inteira com perspectiva de durar 70 anos, onde você é feliz durante 15 e infeliz por 55 anos. Faz sentido? “Ah Dani, mas na infância não existia maldade, responsabilidade, trabalho, contas a pagar, passávamos o dia inteiro brincando.” É esse o seu parâmetro de felicidade?

Preciso confessar que, durante a minha infância eu tinha o sonho de ser adulta, queria trabalhar, ganhar o meu dinheiro, minha liberdade, amadurecer meus pensamentos e construir a minha história. Sei que esse papo é mó chato, mas não posso inventar outra história bonitinha. Entenda que não sou aquela pessoa que se recusa a brincar com crianças, fazer alguma bobagem que remete à infância como tomar banho de chuva, parque de diversão ou outro tipo de situação, como o próprio título do texto diz, estou descrevendo uma hipótese de aprisionamento.

Não é fácil encarar a jornada da vida adulta, mas essa é a vida, todos teremos que viver cada etapa, mesmo contra a nossa vontade. Tentar estacionar na infância a qualquer custo já foi até diagnosticado como um problema psicológico, chamamos de Síndrome de Peter Pan, ou seja, o sujeito que se recusa a crescer e assumir as responsabilidades de uma vida adulta, permanece agindo constantemente de forma infantil e imatura. Inclusive preserva hobbies e hábitos associados a esta época, temos o exemplo mais conhecido que é o Michael Jackson.

Sei que transitei de uma simples nostalgia para um transtorno psicológico. O que estou tentando dizer é que a vida segue, não podemos reviver o que já passou e nem voltar para modificar o passado. Afirmar que sua felicidade estava depositada apenas naquele período é decretar a sentença de infelicidade pelo o resto da vida, resgatar memórias o tempo inteiro na tentativa de amenizar a própria incapacidade de encontrar satisfação com o presente é assustador. É duro o que vou dizer, mas talvez a sua vida hoje seja amarga demais para encontrar algo que valha a pena ser celebrado.

Eu gosto de relembrar algumas coisas boas da infância, das brincadeiras na rua com meus vizinhos e das bobagens que inventávamos, mas em momentos bem pontuais. Não crio a ilusão de que queria vive-los novamente, não fico resgatando memórias para tentar ressentir emoções e não procuro as pessoas que fizeram parte dessa história, na tentativa de fazer uma sessão eterna de nostalgia. A vida segue e precisamos seguir.


quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Internet: abandone espaços de ódio

 



Não há sentindo entrar em um estábulo e reclamar do cheiro de merda.

Fui surpreendida por essa frase e passei o dia inteiro refletindo sobre ela, o contexto onde foi inserida descrevia as redes sociais em geral e páginas onde chovem ofensas.  Já havia citado em outro post que realizei uma limpeza nos perfis com conteúdo político, porém, podemos ampliar para outros tipos de páginas. Por exemplo, existe um perfil chamado “dicas anti-coach”, a proposta inicial é mostrar casos bizarros nesse universo bem repleto de situações absurdas, com a ideia voltada para o humor. Ao fazer uma análise detalhada, percebemos que a tendência está facilmente mais direcionada para a difamação e insultos, ter a curiosidade de tentar analisar os comentários de uma postagem é uma experiência maluca, você percebe o tanto de ódio despejado em um único comentário.

Recentemente fui afetada por outro episódio, após o falecimento de uma cantora gospel Fabiana Anastácio, tive a curiosidade de pesquisar o seu nome no twitter e fiquei abalada com os comentários de zombaria sobre a sua morte e sua fé. Não consigo entender como ainda me surpreendo, fatos assim realmente me tocam, principalmente quando atinge pessoas que nunca atacaram ninguém, o ódio vem gratuitamente apenas por ser ou acreditar.

Mas aí vem a pergunta: Poderíamos esperar o que de um lugar que existe exclusivamente para falar da vida alheia?

Infelizmente são lugares repletos de pessoas que nunca construíram nada relevante, não buscam o aperfeiçoamento pessoal, não suportam conviver com a própria mediocridade, possuem uma vida mesquinha, no final a ação que vem do outro é o que as incomodam, pois joga um holofote sobre a sua própria vida estacionada. Será que encontramos nesses espaços pessoas que são felizes com a própria vida, bem sucedidas, que ajudam ao próximo, que estudam e produzem algo relevante? Certamente não.

Fujam de qualquer espaço que opta por querer ficar falando mal de alguém, por mais sutilmente que pareça, inclusive páginas aparentemente voltadas para questões humanas, mas que destilam o veneno através do “ódio do bem”. Não podemos cair nessa. Esteja comprometido com o seu crescimento e busque consumir tudo o que te faça evoluir.


domingo, 2 de agosto de 2020

Relatos De Uma Quarentena (8)





Quem é profissional da contabilidade e trabalha diretamente na elaboração das demonstrações contábeis, enfrenta anualmente o desafio de entregar as demonstrações à Receita Federal por meio da ECD (Escrituração Contábil Digital), geralmente no último dia útil do mês de Maio, porém, devido ao estado de pandemia, foi adiado para o dia 31 de Julho.

Sempre vai existir aquele contador chato que enche o peito para dizer “meus balanços são encerrados em fevereiro, não espero até a data da ECD”. Tenho uma raiva dessa arrogância, ninguém sabe as circunstâncias, os desafios e barreias que nos impedem de antecipar, não me acho menos competente por isso, muito pelo contrário, já tive a experiência de analisar uma contabilidade entregue nessas condições e posso dizer, uma bela de uma porcaria.

O que sempre foi um grande desafio transformou-se em um monstro devido a diversos fatores, principalmente aos empecilhos da pandemia. O pior é que dessa vez eu estava sozinha em casa, ninguém soube o que passei para tentar dar conta de tudo. Minha péssima mania de absorver e acumular coisas simples e repetitivas, até que sejam transformadas em uma avalanche que me atropela sem perceber, quando acordo já estou submersa a entulhos de cargas não divididas.

Juntamente com a carga de trabalho veio a desgaste emocional, na última semana cheguei ao ponto de passar uma noite inteira sem dormir, dores de cabeça constantes e chorando facilmente. Trabalhava freneticamente, minha pausa era apenas para dormir, comer, tomar banho e fazer o treino do dia. Não estou transformando tal relato em um muro das lamentações, essa situação é a minha circunstância ao longo de anos e tenho bastante ciência. Deixo apenas o meu registro de que, assim como tudo o que foi transformado e dificultado nesse período de pandemia, com meu trabalho não foi diferente.

Vamos seguir em frente que daqui a pouco vem mais, decidi me desafiar justamente agora que tudo saiu da minha zona de conforto, vamos dar uma sacudida nessas estruturas.


sábado, 18 de julho de 2020

Desafio pessoal: A coragem de ser imperfeito




Na última sexta-feira eu vivi uma das experiências mais atrevidas e impactantes da minha vida. Postei um vídeo nos stories do Instagram, onde eu escancarava para meus seguidores uma das minhas maiores vulnerabilidades: exposição pública. Não existe algo que provoque mais pavor em mim do que permitir que eu seja vista, de saber que tenho o olhar de várias pessoas sobre mim, de estar sujeita a críticas cruéis que tentam te diminuir e inferiorizar, de ser alvo de pessoas aparentemente perfeitas que vão apontar o dedo para suas possíveis falhas, de virar motivo de chacota e piadas de quem – covardemente - fica na plateia apenas para atingir quem assume o risco de estar no palco.

Precisei de um tempo para processar quase 40 mensagens recebidas, foram muitas reações, elogios, feedbacks e o mais impressionante de todos, vários relatos e depoimento das pessoas detalhando os seus próprios medos, que se assemelhavam com o que eu tinha acabado de falar.

- Também sou assim e sempre acho que as pessoas vão pensar/falar mal de mim por tal atitude ou fala. Acabo perdendo oportunidades.

- Vejo-me em ti nessa questão de "pôr a cara a tapa" na frente de uma câmera. Eu sou extremamente tímido e vejo que isso me atrapalha muito hoje. Tens meu apoio. Continue. Encara aquilo que te atrapalha.

- Como me identifiquei com o seu relato.

- Valeu pela dica, vai ser muito útil. A gente não muda de uma hora para a outra, a gente evolui e para isso é preciso se desafiar.

Sem contar com os vários “parabéns pela coragem”, ou seja, quase todo mundo associou o fato de expor a minha vulnerabilidade com um ato de coragem. É aí que está a questão, é exatamente nesse ponto que a Brené Brown entra na jogada, faz o gol e corre para a torcida. Para quem ainda não conhece, ela é uma pesquisadora que dedicou a vida ao estudo da vergonha e vulnerabilidade, recomendo que veja os TED’s que estão disponíveis, a palestra na Netflix “The Call to Courage” e o livro A coragem de ser imperfeito, inclusive estou na segunda leitura desse livro, acredito que terei que revisitá-lo várias outras vezes. Minha recomendação é: maratone todo esse material.

Foi uma experiência maravilhosa ver pessoas abrindo o seu coração para mim e confessando os seus medos, tive a oportunidade de conversar e compartilhar os mesmos conflitos. No final foi até terapêutico, de certa forma nos ajudamos.

Mostrar-se imperfeito, falho, com medo, vergonhas e traumas de certa forma te humaniza na relação. O outro vai olhar para você e pensar “eu também sinto o mesmo, ainda bem que não sou a única”. Não tem nada mais terrível do que conviver com alguém que, aparentemente, não enfrentou nenhum problema e nunca passou por uma experiência dolorosa, no final das contas você percebe que não passa de uma fuga, uma máscara que esconde as reais dores que insiste em negar para si mesma. Talvez a metáfora melhor nem seja a máscara e sim a armadura, uma vez que a mesma realmente te deixa mais forte e imponente, porém, é pesada para carregar. Sustentar o peso de uma armadura por muito tempo é um fardo insuportável, certamente em algum momento perderá suas "forças" e desabará. Reerguer-se será bem mais difícil.

O ensinamento mais importante que quero gravar em mim é que, a vulnerabilidade é a medida mais exata de coragem, é essencial para ter uma vida completa e é a principal razão que te conecta em relacionamentos reais.


Que dia, meus caros, que dia.

terça-feira, 14 de julho de 2020

O mundo não está em nossas mãos






Minha geração acreditou que poderia ganhar o mundo.

Quantos de nós recebemos o mérito por sermos o primeiro da família a concluir uma faculdade? Crescemos ouvindo que bastava pegar o diploma, enfiar debaixo do braço e o mundo seria seu. Na roda de conversa da escola era comum cada um falar o que queria ter, um carro x, uma casa y, conhecerei tais lugares, ou seja, tudo o que nossos pais não conseguiram em anos de trabalho duro e braçal. Como se fosse uma simples escolha determinante, sequer imaginaram que tudo não passava de uma fantasia. Não acho que a culpa seja nossa, a verdade é que abriram nossas cabeças, venderam e inculcaram que era o único caminho. O erro de tal discurso foi esquecer de incluir um grande elemento fundamental, a realidade.

A realidade chegou jogando na nossa cara que o mercado não obedecia a essa lógica. Do dia para a noite fomos submetidos à cobrança de habilidades que nunca aprendemos nos livros, você assiste um cargo que teoricamente deveria ser ocupado por você, sendo abocanhado por outro com menos formação e mais aptidões que o mercado precisa. Uma realidade totalmente avessa ao que você foi programado a encarar. O resultado é incontáveis profissionais lutando para ocupar vagas que jamais imaginariam trabalhar, pois, agora quem grita é a sobrevivência.

“É muito fácil você fazer esse discurso, uma vez que exerce a profissão na qual estudou e encontrou estabilidade”. Fui criticada por escolher um curso mediano, onde na lista dos testes vocacionais não garantia os melhores salários, fui criticada por não ter tanta ambição, por não desejar os melhores cargos. Quem é da minha área sabe que, trabalhar em escritório de contabilidade é o sinal de que você não deu certo, é a última opção quando não conseguiu nada melhor. Quem em sã consciência desejaria trabalhar feito um condenado e não ganhar muito? Todos os professores e colegas da faculdade usavam esse tipo de contador como chacota.

Mas enfim, não vim aqui falar sobre mim.

O que eu quero dizer é o seguinte, esteja sempre com os pés instalados na realidade da vida. O desespero aparece para quem ficou enclausurado na prisão do seu mundo ideal, que só existe na sua cabeça. Se você acha que a sua escolha vai determinar a sua felicidade, estará apenas numa prisão e vai se frustrar a vida inteira, mas o fato é que a totalidade da sua vida não está condicionada a ela. É um ato de humildade e coragem encarar a realidade da vida, entender o que ela tenta nos mostrar e agir a partir dela.  Não, você não vai ter o mundo nas suas mãos, não vai conquistar tudo o que quiser, não vai ser o pica das galáxias na sua profissão, não vai jorrar rios de dinheiro na sua conta. Já entendeu isso? Pronto, agora você está preparado para fazer um esforço e tentar se mover a partir do ponto que está.

domingo, 5 de julho de 2020

Conta Bancária Emocional






Gostei tanto de revisitar o livro do Stephen R. Covey que vou aproveitar e encaixar outro tema. É algo aparentemente bobo, mas com um pouco de observação é possível identificar na prática como funciona. Ele nomeou como Conta Bancária Emocional. Seguindo a mesma lógica da conta bancária financeira comum, onde fazemos depósitos, reservas e retiradas, quando necessário. O valor que constará em tal conta será a confiança acumulada no relacionamento, a sensação de segurança que tem com o outro.

Se eu fizer depósitos na conta que tenho com você, através da cortesia, gentileza, honestidade e observação dos compromissos, estou fazendo uma reserva, sua confiança em mim será maior, posso contar com ela no momento que precisar. Posso inclusive cometer algum erro, certamente a minha reserva compensará. Quando a conta é alta, a comunicação é instantânea, fácil e eficaz.

Se eu tiver péssimos hábitos na relação, demonstrando falta de atenção, desrespeito, desconsideração, interromper conversas ou bancar o dono da sua vida, minha conta ficará no vermelho, meu nível de confiança será baixíssimo. Ou seja, não é como fazer um depósito uma vez na vida e ele ficar rendendo a juros compostos até o final da história, compensando todas as retiradas feitas sem prejuízo algum. Os relacionamentos exigem depósitos frequentes e investimentos constantes, quem negligencia tais conceitos não vai perceber seus vínculos sendo deteriorados lentamente ao longo dos anos. Quando o outro não aguentar mais, ele não vai entender como algo simples foi suficiente para o fim da relação, na verdade foi uma pequena faísca que provocou a explosão, uma vez que o outro não foi capaz de perceber o que ocorria durante anos.  

O livro propõe 6 depósitos importantes para aumentar a conta bancária emocional.

- Compreender o indivíduo: é provavelmente um dos depósitos mais importantes, além de contribuir em vários outros. O que é importante para essa pessoa deve ser tão importante para você.

- Prestar atenção às pequenas coisas: nos relacionamentos, as pequenas coisas se equivalem às grandes coisas. Prestar atenção às gentilezas e cortesias, a falta destes, mesmo que minimamente, provocam afastamentos consideráveis.

- Honrar compromissos: não há retirada maior do que fazer uma promessa que seja importante para alguém e depois não cumpri-la.

- Esclarecer as expectativas: cuidado com as expectativas implícitas, elas deverão ser claras e explícitas, caso contrário as pessoas começam a se tornar emocionalmente sensíveis, e basta um mal-entendido para complicar tudo.

- Demonstrar integridade pessoal: inclui a honestidade, contar a verdade, manter a promessa, ter um caráter íntegro.

- As leis do amor e as leis da vida: quando amamos as pessoas de verdade, sem condições, sem restrições, fazemos com que se sintam seguras, fortes e queridas, bem como tranquilas quanto a seu valor intrínseco, identidade e integridade. Seu processo natural de crescimento é encorajado.

Eu tenho a certeza de que relacionamentos são destruídos por ignorarem princípios tão essenciais como estes. De fato, aparentemente são coisas tão bobas mesmo, mas que você deveria começar a se dedicar, caso realmente esteja interessado em manter alguém do seu lado.


sábado, 4 de julho de 2020

Preocupação x Influência



Em alguma postagem citei que detalharia melhor a teoria da preocupação x influência, então vamos lá. Em janeiro de 2019 conheci o trabalho do Stephen R. Covey através do livro Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, seguindo a indicação do Albano, responsável pelo canal Seja uma pessoa melhor. Sem dúvida foi um dos livros que mais trouxeram ensinamentos práticos para minha vida, seguramente será citado mais vezes.

Ao falar sobre a proatividade, o livro cita algumas variáveis que exercem influência em uma postura mais proativa. E uma das maneiras mais eficazes para melhorar a proatividade é observar onde estamos depositando nosso tempo e energia. Temos um universo de preocupações, porém, dentro desse universo existem os pontos que podemos interferir e os que não temos poder de influência. Vou incluir uma imagem abaixo para melhorar a visualização.







Podemos perceber que, questões como a economia do país, clima, desastres naturais e política estão no espaço onde eu não tenho como exercer influência. Onde quero chegar? Estamos vivendo um período delicado em nossa história, passando por uma pandemia viral devastadora, além de todas as implicações que chegam junto com ela, crise econômica, política, de saúde etc. O que eu posso fazer? Ter todos cuidados pessoais e com aqueles próximos a mim, tentar conscientizar quem eu conheço e ajudar o próximo através de doações. Somente! Contabilizar diariamente quantos morreram, acumular notícias e histórias das vítimas, ficar enfurecido com as frequentes negligências e desvio de verbas pelos políticos corruptos. O que pode acontecer? Você vai ficar acumulando sentimentos ruins, que vão trazer prejuízos para a sua saúde mental e não vai resolver o problema. Me diga se não é uma péssima escolha.

As pessoas ficam monitorando as notícias para saber qual foi a próxima besteira que o presidente falou, absorvem aquilo e ficam mal, não satisfeitas ainda espalham para todos compartilharem desse mesmo sentimento de indignação. Ganhou o que? Se você não for um grande influencer digital com milhões de seguidores, não for um grande empresário ou um político, sozinho não tem influência nenhuma sobre a crise econômica ou política. Estou pedindo para que seja um ignorante? Não. Eu mesma me deparar com alguma notícia dessa, escolho simplesmente não depositar minha preocupação.

“As pessoas reativas, concentram os esforços no Círculo de Preocupação. Seu foco recai na fraqueza dos outros, nos problemas do meio ambiente, nas circunstâncias que fogem a seu controle. Este foco resulta em atitudes acusatórias e lamentações, linguagem reativa e postura de eterna vítima. A energia negativa gerada por essa postura, somada à negligência com relação aos setores em que poderia atuar, provoca o encolhimento do Círculo de Influência. Enquanto focalizamos nossas energias nestes aspectos, fomos incapazes de progredir.”

Fixar esse pensamento é libertador, ao menos foi para mim. Com isso só nos resta fazer dois movimentos, ou diminuímos o nosso círculo de preocupação ou aumentamos o círculo de influência. Inverter o sentido vai trazer prejuízos incalculáveis para nossa vida.




"Não sobrecarregues os teus dias com preocupações desnecessárias, a fim de que não percas a oportunidade de viver com alegria." André Luiz


Aproveitei o assunto para tomar mais uma decisão, fiz uma limpeza nos perfis que sigo e deixei de seguir todos os que eram dedicados exclusivamente à pauta política, ex: quebrando o tabu, cidadão consciente e até mesmo o sensacionalista. Escolho ser completamente ignorante sobre os ruídos na política, três coisas eu garanto: 1. Ficar de fora não vai fazer a menor diferença na minha vida, 2. Pouparei a minha paz que tanto prezo, e 3. Não vou encher minha cabeça com porcaria a troco de nada, dedicarei o meu tempo ao que realmente me faça bem.
Não quer dizer que ficarei completamente aversa, tenho curiosidade em me aprofundar em conceitos mais teóricos como conservadorismo, comunismo, liberalismo, entre outros, mas não está no topo da minha lista de prioridade.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

O que posto nas redes sociais






Rede social é a vitrine onde seleciono o que quero deixar ser visto em mim, foco em minhas virtudes e oculto minhas falhas, quem opta por entrar nesse mundo deveria estar ciente que é primeira regra.

Casais apaixonados exibem frequentes declarações de amor, fotos de abraços e beijos envolventes. Uma perfeição de relacionamento, típico de novela.

Os solteiros nas suas noitadas, repletas de bebidas e diversão. Desfrutam da liberdade para conhecer lugares incríveis, são donos de si e não prestam contas a ninguém. Um sonho de vida.

As mães são disciplinadas na educação dos filhos, a casa está sempre organizada, o home office com obrigações em dia e metas cumpridas. O projeto da pós-graduação em andamento, além de exercer o papel da esposa carinhosa, disposta e feliz.

Autoestima, cuidado com o corpo e o amor-próprio nas nuvens, selfies exibindo belezas com versículos, frases motivacionais, o “tá pago” dos treinos diários e a comida saudável.

A intelectualidade e vida emocional muito bem equilibradas, livros, aulas, cursos, meditações e a rotina de uma vida plena, como foi ensinada naquela imersão com o coach que mudou sua vida.

Alguns dizem que é uma tentativa de exibir uma imagem maquiada de si, busca por validação através de likes, fingimento ou marketing pessoal, não é responsabilidade minha tentar diagnosticar, cada um faz o que quer. Consigo lidar muito bem com esses conteúdos no meu feed, inclusive também faço o mesmo. Fico preocupada mesmo é quando alguém vem dizer que a própria vida é inútil, uma vez que não consegue fazer tudo o que fulano faz, não tem a mesma desenvoltura que o outro demonstra ter, não encontra essa tal felicidade exibida. É uma tentativa de querer comparar a própria vida em sua totalidade com uma vida recortada que se esforça em mostrar uma perfeição inatingível, não faz muito sentido. Tudo isso aqui é uma péssima métrica da vida real, cair na armadilha de fazer comparações é uma escolha bem perigosa.

sábado, 6 de junho de 2020

Não sou obrigada a opinar sobre tudo






É comum encontrar uma onda de pessoas que te forçam a entrar em um campo de batalha quando alguma situação absurda acontece no mundo, principalmente envolvendo injustiças sociais e fatos políticos polêmicos. As redes sociais entram em colapso com uma enxurrada de palpiteiros indignados, correndo para dar um veredito sem buscar nenhuma fonte segura. E pior, não aceitam que outros optem pelo silêncio, afirmam cruelmente que silenciar é compactuar com o que está ocorrendo, que é permanecer ao lado do opressor. Asseguram com convicção que eles são inúteis, insensíveis, omissos, conivente e vários outros adjetivos. Praticamente uma tentativa de forçar que sejam iguais a eles, que discutem, manifestam, chateiam, gritam aos 4 cantos suas indignações, ficam desiludidos e não acreditam mais no mundo. Não podem ver um tema em evidência que não conseguem se segurar e precisam falar, como se fosse indispensável seu posicionamento.

EU NÃO SOU ASSIM! Se não me sinto confortável em emitir opinião sobre algo, se o que tenho para falar não vai agregar valor, se não me informei o suficiente para construir uma opinião concreta, ou se meramente não tenho uma opinião elaborada, não me forço a falar só por falar. Não faz o menor sentido, é impossível enxergar a realidade de tudo que acontece em nossa volta, o mundo é mais complexo do que pensamos.

Nem sempre falar significa que você se importa, talvez seja apenas uma necessidade de pertencimento. Sabe aquele efeito manata? Exatamente! "Todo mundo tá falando/fazendo isso, eu preciso fazer também, mesmo que eu não tenha a mínima noção do que estou falando, só quero me sentir envolvida e não quero ficar de fora". Qual é a relevância disso? O que observamos são “especialistas” com opiniões claras sobre tudo e que precisam ser reveladas. Disparam as metralhadoras sem pensar se de fato existe embasamento, podendo inclusive criar um cenário conflitante que não chega a lugar nenhum, só desgasta.

Aí eu pergunto, qual é a necessidade de se posicionar publicamente com uma justificativa de que a pauta é essencial? Não posso escolher me recusar a emitir opinião ou simplesmente não ter uma? Sou obrigada a ter um conceito? E se não for essencial para mim? Eu sou forçada a me importar com tudo o que acontece no mundo? Ou serei condenada no tribunal das redes sociais das pessoas revolucionárias?
Não condeno quem sempre se manifesta e está ativamente envolvido nas causas essenciais, só não quero ser pressionada a fazer o mesmo e nem ser ofendida por optar pelo silêncio.


Vou compartilhar um texto escrito pelo Steven Bartlett e divulgado em seu instagram.

Uma opinião impopular de um preto:

Tentar forçar as pessoas a postarem nas redes sociais sobre racismo/#BlackLivesMatter/George Floyd não é justo e não ajuda. Se alguém não postou, isso não significa que eles não liguem ou não se importem ou que sejam pessoas ruins.
Nós todos assistimos ao mesmo vídeo hediondo de um homem sendo asfixiado até a morte por um policial branco enquanto implorava pela sua vida. Tocou todo mundo de uma forma muito intensa. Mas, cada um lida com isso de diferentes formas.
Algumas pessoas imediatamente foram para as redes sociais, outras falaram com seus amigos de forma privada, outros se abriram a ouvir e aprender e alguns ficaram tão desnorteados e confusos que foi difícil encontrar palavras. Nós não precisamos que todos falem, nós precisamos que todos ouçam.
Postar nas redes sociais não é o único jeito de se processar como estamos nos sentindo – na verdade, ficar postando parece mais o contrário do que se faz em situações intensas, pessoais e que geram emoções complexas. Pessoas que postam menos não são mais racistas.
Vamos lembrar que o objetivo aqui não é virar tendência nas redes sociais ou ser “politicamente correto” perante os seus seguidores. O objetivo é mudança. E existem muitos caminhos importantes para a mudança. Um é auto reflexão, um é pressão política, um é protesto, outro é se educando.
Como um homem preto que sofre com o racismo ao longo da vida, eu não quero que as pessoas postem porque eles sintam-se obrigados ou pressionados a fazê-lo. Eu prefiro que eles usem seu tempo ouvindo, aprendendo e refletindo. Afinal, toda mudança real começa dentro de casa.
Tem sido incrível ver pessoas de todas as raças se solidarizando nas ruas de todo o mundo. Tem sido incrível ver as pessoas usando suas plataformas para educar e informar. Mas, por favor, não assuma nada sobre o silêncio de alguém e não pressione os outros a agir da mesma forma que você.
Em um momento como esse, não existe reação “correta”, só existe empatia e o quanto ela inspira vários tipos de mudança. A verdade é que, se fôssemos capazes de mostrar um pouco mais de empatia como seres humanos, nós provavelmente não estaríamos onde estamos agora.

-

672.846 casos confirmados e 35.930 óbitos.